Amorim diz que momento é delicado para Mercosul e UE

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reafirmou hoje seu otimismo com a possibilidade de conclusão de um acordo comercial entre a União Européia (UE) e o Mercosul até outubro próximo, mas admitiu que as negociações entre os dois blocos "vivem um momento delicado". Adotando um tom mais cauteloso , ele disse que "há mais chance de o acordo sair, do que não".Representantes do Mercosul e UE vão se reunir na próxima semana em Bruxelas para discutir as suas ofertas de acesso aos seus respectivos mercados. Segundo Amorim, "é desejável e possível se chegar a um acordo". No entanto, o ministro não escondeu a sua insatisfação com a recente postura adotada pelos europeus nas negociações.Rodada de DohaAmorim acredita ser possível que a rodada multilateral do comércio de Doha possa ser concluída até o primeiro trimestre de 2005. "O ambiente político para as negociações melhorou, há mais noção do que se pode avançar", disse. "É preciso se fazer o necessário para se cumprir o mandato de Doha, que determina a redução gradual dos subsídios agrícolas."Segundo ele, o encontro de Londres não terá caráter negociatório, mas servirá para discutir soluções para que até julho ou agosto, as diferentes modalidades da negociação da rodada multilateral sejam estabelecidas. Após isso, segundo ele, será preciso um trabalho intenso de negociações e ajustes técnicos que deverá se estender até o início de 2005.AlcaEm relação as negociações para a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), o ministro reafirmou que o grande entrave continua sendo a resistência dos Estados Unidos na questão agrícola. "A grande dificuldade é encontrar um acesso importante do Mercosul na agricultura", disse. Segundo ele, o Mercosul está disposto a flexibilizar sua posição de acesso a seus mercados dependendo da contrapartida norte-americana. "Se a agricultura for contemplada, no resto nada é impensável", disse.Decisão da OMCAmorim disse que a decisão da Organização Mundial do Comércio (OMC), que considerou distorcivos os subsídios do governo americano aos produtores de algodão do país, já está tendo um impacto positivo nas negociações da rodada multilateral de Doha. "A decisão da OMC nos permite pensar o impensável: um mundo sem subsídios", disse.Segundo ele, a imprensa internacional considerou positiva para o comércio mundial a decisão preliminar da OMC favorável ao Brasil. "O impacto político e psicológico do painel da OMC já houve e não vai mudar", disse.

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