Amorim e Kirk trocam farpas em reunião na OMC

Os Estados Unidos cobraram de Brasil, Índia e China maior responsabilidade no cenário internacional e a abertura de seus mercados. Caso contrário, simplesmente não haveria conclusão da Rodada Doha. O chanceler Celso Amorim não deixou barato e, em um discurso feito em resposta aos americanos, insistiu que seria "irracional" pedir maior liberalização dos emergentes. O confronto ocorreu ontem em Genebra na abertura da conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC). Ainda que esvaziada e sem nenhuma decisão a ser tomada, o evento já se transformou em palco de acusações entre países ricos e emergentes.

AE, Agencia Estado

01 de dezembro de 2009 | 09h11

A OMC alertou que a conferência ocorre exatamente no pior ano para o comércio em sete décadas. Nos diversos discursos, o tom de todos os ministros era sombrio. O primeiro a lançar o debate foi o representante de Comércio dos EUA, Ron Kirk. Os americanos são acusados de serem os responsáveis pelo impasse nas negociações comerciais, lançadas em 2001. Ontem, Kirk deixou claro que não vai recuar e continuará pedindo maior abertura dos países emergentes para que possa fazer concessões. "Estamos comprometidos em ter um acordo e acho que ele pode sair em 2010. Mas é a substância que vai determinar", alertou Kirk.

Para o americano, o sucesso ou fracasso da rodada não depende apenas de um país. "A decisão é mais ampla. Cada um tem sua responsabilidade. Os países ricos vão continuar a ter seu papel. Mas os emergentes têm um papel cada vez maior." Para ele, é a abertura "de alguns mercados-chave" que será fundamental para que haja um acordo. "De nossa parte, estão prontos para o jogo final (na rodada). Mas precisa haver uma abertura significativa (dos países emergentes)."

Amorim, que tinha um discurso preparado, decidiu modificá-lo e preparar de última hora uma resposta a Kirk. Seu recado foi também claro: não há como pensar em uma nova abertura por parte dos emergentes. O chanceler insiste que, pelo acordo que está sobre a mesa, o corte de tarifas nos países ricos seria menor que o dos emergentes. "Seria irracional esperar que concluir a rodada daria concessões adicionais unilaterais por parte dos países em desenvolvimento." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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