Amorim e Mandelson discutem Doha em Londres

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, se reunirá nesta quinta-feira à noite na capital britânica com o comissário europeu para o Comércio, Peter Mandelson, com o objetivo de discutir o andamento das negociações para a conclusão da Rodada Multilateral de Comércio de Doha. Durante um jantar na embaixada brasileira, os dois pretendem discutir, entre outros temas, as perspectivas de um avanço decisivo nas negociações durante a reunião de cúpula do G-8, que será realizada neste fim de semana em São Petersburgo e que contará com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.O governo brasileiro acredita que o fim do impasse que vem travando a conclusão da rodada depende de uma ação direta dos líderes dos principais países envolvidos na negociação. Na avaliação do presidente Lula, a reunião do G-8 será uma oportunidade perfeita para isso, pois além dos chefes de Estado e de governo dos países mais ricos, estarão presentes os líderes dos principais países em desenvolvimento, entre elas a Índia e China.Mas a reunião ministerial realizada na Organização Mundial do Comércio há duas semanas deixou claro que ainda é necessária uma grande flexibilização nas posições de todos os principais protagonistas da rodada para que um acordo seja viabilizado. Neste momento, a pressão está sobre os Estados Unidos, cuja proposta de redução de subsídio ao setor agrícola doméstico é considerada muito insatisfatória. Além disso, o governo norte-americano não deu recentemente sinais concretos de que pretende melhorar a sua proposta substancialmente. A União Européia sinalizou em Genebra no final de junho disposição de melhorar a sua oferta de facilitar acesso aos seus mercados agrícolas através da redução de tarifas desde que veja uma contrapartida de outros países, principalmente os Estados Unidos. No G-20, grupo que reúne os países em desenvolvimento, o Brasil também indicou que pode avançar sua proposta de redução de tarifas de acesso aos seus mercados de bens industriais desde que seja melhorada a proposta agrícola das nações ricas. Outros países em desenvolvimento, no entanto, como a Índia, têm se mostrado mais cautelosos em relação à possível abertura de seus mercados de bens industriais.Após se reunir com Mandelson, Amorim deve viajar na sexta-feira para São Petersburgo, onde integrará a comitiva do presidente Lula no encontro do G-8.

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