Amorim exige concessão recíproca na OMC

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, chegou a Londres dizendo estar preparado para fazer um "movimento proporcional" nas negociações da Rodada Doha. Perguntado por jornalistas sobre os detalhes desse "movimento proporcional", Amorim disse que isso "só o Peter Mandelson (comissário de comércio da União Européia) saberá" e salientou que esse movimento está condicionado ao progresso nas ofertas agrícolas. "Não ignoramos que há uma certa tentativa de inversão do ônus da prova de dizer que o que é necessário no momento é um movimento por parte dos países em desenvolvimento no que diz respeito a produtos industriais e serviços", disse o chanceler brasileiro. "Não ignoramos que é necessário que haja progresso também nessas áreas. Viemos dispostos a considerar essas hipóteses desde que haja também progressos reais em agricultura." A declaração foi feita pouco antes de iniciar uma reunião em que participam Amorim, Mandelson e os negociadores dos Estados Unidos e da Índia, além do diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy. Eles tentam avançar em um possível rascunho de um acordo que seja usado como base na reunião ministerial de Hong Kong, em dezembro. Amorim descreveu o encontro como "muito importante", mas que "não se sabe se será decisivo". Quanto às críticas feitas por Mandelson em uma entrevista à BBC, Amorim disse que os países em desenvolvimento "não tinham ficado impressionados" com elas. O comissário de comércio europeu acusou países como Brasil, Estados Unidos e Austrália de impedir avanços nas negociações por um comércio global mais justo. Diferenças O Brasil, junto com os demais países em desenvolvimento que participam das negociações de liberalização do comércio mundial, é pressionado pelos países ricos a liberalizar seus mercados de bens industriais e de serviços. A demanda foi reforçada pelo primeiro-ministro britânico, Tony Blair, em conversa privada com Amorim, em Londres. Mas os negociadores brasileiros argumentam que isso só será feito se as ofertas na área de agricultura forem mais interessantes. A União Européia apresentou uma oferta na qual se comprometia a fazer um corte médio de 39% nas suas tarifas de importação de produtos agrícolas. Estados Unidos e G20 consideraram a proposta insuficiente já que defendem um corte médio de 51,5%. Os europeus também insistem em excluir produtos desses cortes, os chamados produtos sensíveis. Pela proposta européia, a classificação é de até 8% de todos os produtos agrícolas, o que seriam uns 300 produtos sensíveis. Estados Unidos e G20 dizem que esse percentual deve ser de 1%. Depois do encontro em Londres, os ministros seguem para Genebra para apresentar os resultados a um grupo maior de negociadores.

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