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Amorim explica que acordo bilateral não descarta Alca

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, informou hoje, após reunião e almoço de trabalho com o representante comercial dos Estados Unidos, Roberto Zoellick, que a proposta do governo brasileiro de negociar um acordo bilateral Mercosul-Estados Unidos (4+1) não é uma abordagem em lugar da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Segundo ele, o governo brasileiro quer apenas focalizar alguns aspectos, principalmente na questão de acesso a mercados. Amorim disse que, da mesma forma que os EUA têm interesse em abordar temas sensíveis somente na Organização Mundial de Comércio (OMC), também o Mercosul entende que alguns temas seriam melhor tratados no multilateralismo da OMC, tais como propriedade intelectual, compras governamentais e serviços, que são exatamente os temas que os EUA querem tratar na Alca. Da mesma forma ainda, segundo lembrou, que os EUA só querem negociar a redução de subsídios agrícolas na OMC, este é o tema de interesse principal do Mercosul e do Brasil em todos os fóruns de negociação, inclusive na Alca. "Não quero dizer, aqui, que todas as diferenças tenham sido resolvidas. Mas cada um expôs os seus problemas com pragmatismo, de forma a contribuir para que o processo da Alca corra bem e dentro do prazo que, a princípio, foi acordado", disse Amorim sobre seu encontro com Zoellick. Três caminhosSegundo Amorim, Brasil e EUA concordam que há três trilhos: o primeiro seria o acordo bilateral, em que seria negociada basicamente a questão de acesso a mercados; o segundo, o próprio processo da Alca; e o terceiro, o processo de negociação na OMC, onde seriam tratados os temas mais sensíveis. "O que temos que concordar, ainda dentro dessa abordagem pragmática que nos foi trazida, é com o que entra em cada trilho. Precisamos fazer uma triagem", afirmou o ministro. "Quanto mais leve for o acordo-quadro (Alca), mais rápido ele poderá ser concluído", afirmou. Amorim disse ainda que, até o fim do próximo mês, Brasil e EUA devem fazer um mapeamento do que cada um considera importante ser abordado em cada um desses três trilhos. Ele disse, também, que os dois países concordam que o tema agrícola deve ser o foco central na OMC e que a diferença pode ser tática. Segundo Amorim, a reforma da política agrícola da União Européia pode não ser condição suficiente para avançar nas negociações na OMC, mas que ela é necessária. Fortalecer MercosulO chanceler destacou a importância dos esforços que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem empreendido para fortalecer o Mercosul. Segundo ele, este bloco e a América do Sul são prioritários para a política externa brasileira. Ele observou, também, que o Brasil quer evitar que os países do Mercosul façam acordos comerciais individualmente porque, segundo ele, o Brasil entende que o Mercosul deve negociar de maneira unificada. "Nossa esperança é que o Mercosul, que hoje são quatro países, venha a ser de cinco ou seis países, e precisamos considerar este aspecto na Alca e na OMC", afirmou Amorim.

Agencia Estado,

28 de maio de 2003 | 16h17

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