Amorim pede fim da troca de acusações e acordo na OMC

Para ministro, Índia, China e EUA dificultam entendimento na Rodada Doha, que entra em seu 9º dia

EFE,

29 de julho de 2008 | 08h56

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pediu nesta terça-feira, 29, que os países que estão dificultando um acordo sobre a Rodada de Doha para a liberalização comercial - principalmente Índia, China e EUA - parem de trocar acusações e "tomem as rédeas" da negociação, para que esta não fracasse.   Veja também: Entenda o que está em jogo na Rodada Doha da OMC China endurece posição e vira nova ameaça a um acordo na OMC Posição do Brasil na OMC é vista como 'traição', diz jornal Amorim nega mal-estar com Argentina na Rodada Doha Lula nega 'traição' a G-20 na OMC e diz que diferenças existem   Cerca de 30 ministros da Organização Mundial do Comércio (OMC) continuam nesta terça, pelo nono dia, as discussões para desbloquear a Rodada de Doha, que tem por objetivo a abertura de mercados agrícolas e industriais e que esta madrugada esteve a ponto de fracassar.   Ao chegar à reunião, Amorim disse que, neste momento "crucial", não interessa culpar países sobre a falta de avanços nas conversas, mas todos "devem tomar as rédeas" para que a negociação termine com sucesso.   Amorim respondeu assim a perguntas sobre a posição da Índia e da China, que estão dificultando um acordo devido a suas demandas para proteger seus mercados agrícolas e conservar as salvaguardas contra as importações de produtos como algodão, açúcar e arroz.   Neste sentido, o ministro brasileiro advertiu que "os países desenvolvidos também têm interesses ofensivos agrícolas". "Toda história tem também seu outro lado", disse. Na negociação, os Estados Unidos mantêm uma posição dura e se nega a reduzir os subsídios a seus agricultores, concretamente ao algodão. "O que interessa agora é tomar as rédeas (da negociação) como nós fizemos, contribuindo entre todos para que a Rodada de Doha seja um exito".   A intenção era chegar a um pacto sobre mercados agrícolas e industriais para que a rodada termine no final de 2008. "Se a negociação não terminar agora (esta semana), não vejo como terminará em poucos meses", disse o chanceler brasileiro.   Sobre as exigências do Uruguai e do Paraguai, porque temem o impacto em sua agricultura, devido ao mecanismo de salvaguarda que está sendo negociando, o chanceler brasileiro acrescentou que "são legítimas", mas que todos devem colaborar para um acordo. Se alguns países como Índia, China e EUA aproximarem suas posturas, haverá "base para um acordo", disse Amorim.   O objetivo da reunião, que começou no último dia 21, é propiciar um pacto para que não sejam desperdiçados sete anos de trabalho, pois a Rodada de Doha começou em 2001, na capital catariana, com o fim de aprofundar na liberalização do comércio mundial.

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