Amorim propõe criação de poder monetário mundial anticrise

Ministro das Relações Exteriores diz que Brasil defende mudanças nas instituições de Bretton Woods e na ONU

Denise Chrispim Marin, de O Estado de S. Paulo,

10 Outubro 2008 | 15h12

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, defendeu nesta sexta-feira, 10, no Palácio do Itamaraty, a criação de uma autoridade monetária internacional para prevenir o surgimento de crises como a atual e também para adotar medidas contra elas quando ocorrerem. Amorim lembrou que o governo brasileiro defende, há muito tempo, mudanças nas instituições de Bretton Woods e no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e insistiu em que essa proposta deve ser discutida neste momento.   Veja também: NY discute suspensão de negócios por ação para evitar especulação Bolsas derretem no mundo todo; Bovespa cai mais de 7% Bush receberá ministros do G7 na Casa Branca Como o mundo reage à crise  Reino Unido congela ativos do banco islandês Landsbanki FMI age para garantir crédito a emergentes Confira as medidas já anunciadas pelo BC contra a crise Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira    O ministro defendeu, ainda, o aumento do diálogo entre os países em desenvolvimento sobre formas de reação à crise e de proteção contra ela. Esse assunto estará na pauta de discussões da reunião de cúpula do Fórum Índia-Brasil-África do Sul, marcada para a próxima semana, em Nova Déli, e será tema de uma reunião extraordinária do Conselho do Mercado Comum, que reúne os ministros das Relações Exteriores e da Fazenda dos países do Mercosul.   Essa reunião deverá ser agendada para depois do dia 20 próximo. "Vivemos um mundo novo que exige idéias novas. Não se pode querer que, nesta situação de desordem internacional, usemos parâmetros antigos. Deveríamos pensar em mecanismos financeiros que nos protejam", declarou Amorim.   Em seguida, o chanceler brasileiro usou de uma metáfora. Disse que as finanças são "o lubrificante da economia, mas não são a máquina" e que, neste momento, não se pode deixar que "o lubrificante estrague a máquina."   Ao lado de Amorim, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Luís Amado, insistiu na necessidade de uma consertação multilateral em reação à crise. A tentativa da União Européia de chegar a um pacote comum de medidas nesse sentido fracassou nesta semana. "Sem um esforço multilateral, é difícil fazer face à situação que enfrentamos. Não há nenhuma nação que possa isoladamente enfrentar essa situação", afirmou Amado.

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