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Amorim quer adaptar acordos da Alca aos interesses do Mercosul

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, declarou hoje que o governo brasileiro fará um esforço para "redesenhar e adaptar" o atual formato das negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) aos interesses do Mercosul. As linhas gerais da política a ser seguida pelo Brasil serão definidas pelos ministros envolvidos com os temas comerciais, sob a batuta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antes do desembarque em Brasília do representante dos Estados Unidos para o Comércio, Robert Zoellick, no próximo dia 27. O chanceler reiterou uma vez mais que o projeto da Alca "não é incompatível" com a possível negociação direta sobre o livre comércio entre o Mercosul e os Estados Unidos - o chamado acordo 4+1. Igualmente insistiu que a obsessão pelo prazo de conclusão da Alca, atualmente definido para 2005, não é definitivo e que estará condicionado ao conteúdo da negociação. "A questão é: de que Alca nós falamos? Não nos serve uma Alca que deixa para a OMC os temas que mais ambicionamos. Queremos redesenhar e adaptar o formato da negociação da Alca. Tanto no que se refere aos nossos interesses ofensivos, que são os de abertura de mercados aos nossos produtos agropecuários e industriais, como no que diz respeito aos nossos interesses de preservar o espaço do Estado para a adoção de políticas de desenvolvimento", disse. Relações americanasO chanceler enfatizou mais uma vez que o Brasil e seus sócios do Mercosul estão interessados especialmente no acesso ao mercado americano. Mas explicou que o atual formato das negociações da Alca "automaticamente" os levará a acumular perdas em conteúdo ao longo das discussões. Primeiro, porque os Estados Unidos insistem em negociar apenas na Organização Mundial do Comércio (OMC) temas considerados essenciais para o Mercosul, como a eliminação dos subsídios às exportações agrícolas, a redução do apoio interno aos produtores desse setor e as regras antidumping.Ao mesmo tempo, o governo americano pressiona para obter regras mais ambiciosas que as definidas pela OMC sobre propriedade intelectual, investimentos e outros temas nos quais o Brasil não pretende tocar. Depois, porque os Estados Unidos optaram por "bilateralizar" a Alca quando apresentaram ofertas de acesso a mercados diferenciadas para cada sub-região do Hemisfério - a pior delas, para o bloco sul-americano. "Os Estados Unidos já iniciaram o 4+1 ao pôr na mesa sua proposta para o Mercosul", afirmou.

Agencia Estado,

13 de maio de 2003 | 14h42

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