Amorim rebate FMI e sugere fim de subsídios agrícolas

O ministro das RelaçõesExteriores, Celso Amorim, rebateu nesta sexta-feira assucessivas críticas de que a produção de biocombustíveis éresponsável pelo aumento dos preços dos alimentos, afirmandoque os subsídios e barreiras agrícolas das nações ricas são asprincipais causas da falta de alimentos nos países pobres. Respondendo claramente às declarações feitas nestasexta-feira pelo diretor-gerente do Fundo MonetárioInternacional, Dominique Strauss-Khan, de que osbiocombustíveis criam um problema moral para a humanidade e queencarecem os alimentos, Amorim pediu o fim dos subsídios paramelhorar a produção dos alimentos nos países pobres. "O que prejudica a produção de alimentos nos países pobres,vamos ser claros, é a existência de subsídios e das barreirasnos países ricos", afirmou Amorim, segundo a Agência Brasil, depois de assinar termos de cooperação com o diretor-geral daOrganização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação(FAO), o senegalês Jacques Diouf. "Se o diretor-geral do FMI e o presidente do Banco Mundialquerem dar uma recomendação que realmente melhore a produção dealimentos nesses países, deveriam dizer o seguinte: em vez dereduzir (os subsídios agrícolas) para 14 bilhões de dólares nosEstados Unidos ou para 20 bilhões de dólares na Europa, reduz azero", complementou o ministro. Amorim afirmou que o Brasil, que produz etanol a partir dacana-de-açúcar, é a prova de que os biocombustíveis nãocomprometem a produção de alimentos. Segundo ele, a produção deetanol aumentou junto com a produção de alimentos e pode seruma "redenção" para países africanos e latino-americanos. "Se o FMI puder ajudar para que países africanos e paíseslatino-americanos mais pobres possam produzir biocombustíveis,que entrem sem barreiras nos países ricos, eles estarãoajudando a renda desses países, e é com renda que se obtémalimentos", sugeriu o ministro. Amorim acusou ainda de serem simplistas as conclusões sobrea produção de biocombustíveis e que teriam como base umapreocupação protecionista. (Texto de Denise Luna)

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