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Amorim vê ''''desequilíbrio'''' na OMC

Para o chanceler, setores agrícola e industrial estão recebendo tratamento diferenciado sobre redução de tarifas

Jamil Chade,correspondente, O Estadao de S.Paulo

21 de julho de 2007 | 00h00

Genebra - O chanceler Celso Amorim foi ontem de Bruxelas a Genebra dizer ao diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, que as propostas da entidade para a abertura dos mercados agrícolas e industriais estão "desequilibradas". Amorim esteve também com o G-20, grupo de países emergentes, e garantiu que o bloco está unido e apoiará as sugestões da OMC no setor agrícola. Cuba, porém, não endossou completamente a idéia de apoio à proposta por alegar que alguns interesses dos países em desenvolvimento no setor agrícola não estavam contemplados. Os textos da OMC sugerem que os emergentes cortem em mais de 60% suas tarifas de importação de bens industriais. Já os americanos estabeleceriam um teto de até US$ 16,4 bilhões em subsídios por ano. Aos europeus caberia um corte entre 66% e 73% em suas tarifas de bens industriais. Diante da situação, Amorim deu seu recado a Lamy. "Eu disse a ele que há um desequilíbrio inerente (nas propostas)", afirmou o chanceler. Para Amorim, o problema central é que a proposta agrícola, ainda que seja aceitável para o Brasil, permite certos confortos aos países ricos. Isso porque a Europa praticamente não teria de fazer grandes esforços para chegar ao que a proposta sugere. "Já no setor industrial, a abertura sugerida aos países emergentes não dá nenhuma margem de conforto e é ambiciosa demais", disse Amorim. "Não é o que pedimos", acrescentou, insinuando que tentará influenciar o processo para modificar as propostas de liberalização do setor industrial.Após seu encontro com o G-20, Amorim garantiu que o grupo está unido e há uma percepção geral de que se poderá usar o texto agrícola como base para as negociações. Diplomatas da Venezuela, Uruguai e Argentina também apontaram para uma convergência nas opiniões do grupo. "A unidade do G-20 é essencial para uma conclusão da Rodada. Há um entendimento que, seja qual for o progresso, ele aconteceu por causa do G-20", disse o chanceler. Mas os negociadores alertam que a união do G-20 é apenas "parte da história" e está cada vez mais claro que não há nenhuma união na questão dos produtos industrializados. Na semana que vem, a entidade volta a se reunir oficialmente pela primeira vez após a apresentação dos documentos. Cada grupo irá, até lá, estudar cuidadosamente o que será dito para que os encontros não signifiquem o fim da Rodada Doha. "Certamente, ainda há um longo caminho a percorrer", concluiu o ministro.

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