Amorim vê retrocesso em negociações para Rodada de Doha

O ministro das RelaçõesExteriores, Celso Amorim, disse que houve retrocesso em algunspontos das negociações prévias para a próxima rodada daOrganização Mundial de Comércio, no próximo dia 21, emGenebra. O chanceler brasileiro avaliou que um acordo global delivre comércio não será fácil porque os documentospreliminares, elaborados a partir de negociações diplomáticas,sinalizam que não houve avanços nos pontos defendidos pelospaíses em desenvolvimento, e em alguns aspectos ocorreu atéretrocesso. O principal ponto negativo identificado por Amorim é apossibilidade cogitada pelos países desenvolvidos de ampliar alista de produtos sensíveis, criando novas cotas às importaçõesdos emergentes. "A previsão de que se possa ter novas cotas sobre produtosque até agora não eram sensíveis abre uma caixa preta quepoderá trazer graves prejuízos para os nossos interesses nosmercados dos países ricos", disse Amorim em encontro dechanceleres do Mercosul, no Hotel Copacabana Palace. "Concluímos que o que nos falta para um acordo são avançossobre subsídios agrícolas. O texto do presidente da (comissãode) Agricultura deixa vários temas em aberto. Na parte deacesso a mercado, o texto não faz nenhum avanço", acrescentou. Segundo Amorim, os documentos preliminares criam uma bandade 13 bilhões a 16,5 bilhões de dólares na concessão desubsídios, considerada muito ampla pelos chanceleres doMercosul. Ao contrário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, querecentemente se manifestou otimista quanto a uma conclusão daRodada de Doha de livre comércio, Amorim preferiu se mantercauteloso. "Sou realista. Entro achando que é possível (um acordo),mas sabendo que não é fácil", afirmou. O chanceler argentino Jorge Taiana também cobrou maiscompromisso dos países ricos e disse que o documento não estáclaro. "Insistimos que a possibilidade de um resultado positivodepende sobretudo de equilíbrio. Isso requer um maior esforçodos países desenvolvidos, particularmente na agricultura",destacou.(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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