Marcelo Camargo / Agência Brasil
Marcelo Camargo / Agência Brasil

Ampliação das discussões na Comissão Especial pode adiar votação de parecer, diz relator

Segundo Samuel Moreira, relatório tem condição de ser votado no colegiado no dia 25, mas abertura do debate para parlamentares que não compõem a comissão pode aumentar o prazo

Maria Regina Silva e Simone Cavalcanti, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2019 | 09h53

O relator da proposta da reforma da Previdência, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), disse em entrevista na manhã desta terça-feira, 18, à radio Eldorado que seu parecer tem condições de ser votado no colegiado no dia 25, mas pode ser que demore um pouco mais por causa da abertura das discussões para mais parlamentares, além daqueles que compõem a comissão.

"Não dá para bater o martelo. O Marcelo Ramos (presidente da Comissão Especial) tem feito um bom trabalho, estamos trabalhando para termos um cronograma. Procurando não contaminar a reforma com (coisas) do governo. E não vou ficar criando intrigas. O que nos deixa seguros, tranquilos é que está andando, mas não é para tanto otimismo", avaliou.

Moreira disse que vai trabalhar o dia todo nesta terça e também na quarta para avançar no processo da reforma, com intenção de encerrar as discussões na semana que vem.

Capitalização

Ele tirou do seu parecer pontos polêmicos da proposta enviada pelo governo de Jair Bolsonaro, como as mudanças propostas para o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e deficientes de baixa renda, e para a aposentadoria rural, além do sistema de capitalização.

Moreira admite que a retirada desse ponto do relatório gerou desconforto em alguns setores do governo, mas não comentou as críticas do ministro da Economia, Paulo Guedes. "O Rodrigo [Maia, presidente da Câmara] respondeu à altura. Meu papel é construir unidade para os votos", afirmou.

Para o relator, a proposta de criação de um sistema de capitalização ainda não foi abordada de forma adequada. "Ninguém explica bem. Sou favorável a contas individuais para os mais jovens para que pensem na aposentadoria", afirmou.

Segundo ele, se não há voto para se avançar neste sentido, não faz sentido continuar com o assunto. "Se não há voto, não há como caminhar com a polêmica. É melhor ir por onde temos votos", disse.

O relator afirmou que esse também é um problema que atinge a possibilidade de inclusão de Estados e municípios no texto da reforma. "É um tema muito polêmico porque divide a base, difícil para votos", disse. Ele disse, porém, que essa discussão ainda pode ser retomada.

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