Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Ampliação dos saques do PIS/Pasep dá novo fôlego à economia em julho

Indicadores divulgados nesta quarta-feira, 22, mostram retomada tímida, com melhora da produção industrial, das vendas do varejo e do emprego; para economistas, liberação do recursos do PIS/Pasep está tendo efeito semelhante ao do FGTS inativo no ano passado

Eduardo Rodrigues, Lu Aiko Otta, Daniela Amorim e Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2018 | 22h52

A liberação dos saques do PIS/Pasep deu um fôlego à economia em julho, com aumento da produção industrial puxado pela expectativa da volta do consumo das famílias. Indicadores econômicos divulgados nesta quarta-feira, 22, apontam para uma retomada da economia depois do choque provocado pela greve dos caminhoneiros. A sustentabilidade do crescimento, no entanto, é questionada pelos economistas por causa das incertezas do cenário eleitoral.

Entre as divulgações que foram feitas, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que o setor teve o melhor julho em quatro anos. O Ministério do Trabalho anunciou a criação de 47 mil empregos com carteira assinada no mês passado no País, no melhor desempenho para julho em seis anos. Também houve tímida melhora nos indicadores de vendas no varejo e os consumidores já se mostram mais propensos às compras neste mês, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC).

“Estamos no início do segundo semestre do ano, quando costuma haver um aumento na atividade. Mas o resultado de julho deste ano foi mais forte do que em 2017 e melhor do que os de 2014, 2015 e 2016, quando a produção caiu por causa da crise”, avaliou o economista da CNI Marcelo Azevedo.

Para o professor de economia da FGV, Mauro Rochlin, a indústria pode estar se preparando para absorver a demanda que surgirá com a liberação dos saques do Abono Salarial do PIS/Pasep para pessoas de todas as idades. De acordo com o Ministério do Planejamento, desde o fim do ano passado, quase 5 milhões de cotistas já sacaram R$ 6,6 bilhões do PIS/Pasep.

“Os saques do PIS/Pasep terão um impacto significativo, a exemplo dos saques de contas inativas do FGTS no ano passado. O setor está se preparando para este ‘soluço’ no consumo, mas ainda não dá para soltar fogos e afirmar que já há uma recuperação em marcha”.

Com a intenção de injetar recursos na economia, o governo começou no ano passado a afrouxar as regras para saque do fundo do PIS/Pasep. Cerca de R$ 17 bilhões ainda podem ser resgatados até dia 28 de setembro sem restrição de idade. Somando quem tem mais de 60 anos, a estimativa do Ministério do Planejamento é que a medida tem potencial para injetar R$ 39 bilhões na economia.

Para o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, o PIS/Pasep ajudará também nos resultados do terceiro trimestre. Ele vê uma tendência de recuperação “importante” na economia. “A greve dos caminhoneiros afetou o crescimento deste ano, mas não o matou completamente.”

Segundo o consultor Cláudio Frischtak, da consultoria Inter.B, o aquecimento da atividade industrial se explica por três fatores. O primeiro é que, após a queda provocada pela greve, as indústrias recuperaram seus índices de produção em junho e isso “transbordou” para julho. O segundo é um efeito sazonal: as encomendas para as festas de fim de ano, que já começam a ser feitas. O terceiro é a taxa de câmbio em níveis competitivos para exportadores brasileiros.

“E a economia mundial continua indo bem, apesar das turbulências”, diz. “Tem demanda para os nossos produtos. Mas estamos reféns da política. Muitas decisões podem ser adiadas.”

Azevedo, da CNI, lembra que o ritmo de recuperação da indústria tem sido limitado pelas incertezas sobre a economia, desde a confiança do consumidor ao indefinido cenário eleitoral. “Apenas religar máquinas não permite o salto no emprego que se daria com o retorno dos investimentos em novas fábricas.”

O economista da CNC, Antonio Everton, reforça que a melhora no varejo vai depender da reação do mercado de trabalho. “O nível de emprego está melhor que no ano passado, mas as perspectivas para a economia não são tão boas como poderiam ser.” A confederação prevê que as vendas no varejo ampliado, que inclui os segmentos de veículos e material de construção, cresçam 4,5% em 2018. A intenção de consumo das famílias, apurada pela CNC, cresceu 0,6% em agosto em relação a julho.

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