Anac decide hoje se Varig será punida

Os diretores da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac) reúnem-se na tarde desta segunda-feira para analisar a situação da Varig e uma possível punição para a empresa que, no final da tarde de quinta-feira, anunciou que cancelaria todos os vôos, exceto a ponte aérea Rio-São Paulo. Na sexta-feira, a Anac iniciou o dia dizendo que garantiria o embarque dos passageiros em outras companhias aéreas, mas, durante a tarde, voltou atrás e rejeitou o pedido de suspensão temporária dos vôos cancelados.Depois da decisão da Anac, a Varig anunciou que voltaria a oferecer parte dos vôos que haviam sido suspensos - Rio de Janeiro-Recife-Fernando de Noronha; São Paulo-Fortaleza e São Paulo-Manaus (os vôos de Manaus e Fortaleza serão feitos em dias intercalados); Frankfurt; Londres; Miami e Nova York (também sendo feitos em dias intercalados); Caracas e Buenos Aires.Contudo, além desses vôos, a Anac determinou que a Varig voltasse a oferecer outras rotas, que faziam parte do plano emergencial da empresa. A Anac quer que a Varig volte a oferecer vôos para os seguintes destinos: Belém, Natal, Salvador, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Santiago, Santa Cruz de La Sierra e Lima. A empresa, porém, diz não ter prazo definido para voltar a operar esses vôos.Situação nos aeroportosHoje, durante todo o dia, o clima de indefinição continuou a pairar sobre os passageiros da Varig nos principais aeroportos do País. A companhia aérea continua cancelando vôos nesta segunda-feira. No Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, foram suspensos, entre outros, trajetos para Aruba, Miami, Buenos Aires e Assunção. Já no Aeroporto de Congonhas, os vôos de ponte aérea partem de uma em uma hora, segundo a Infraero, e estão confirmadas as viagens para o Rio de Janeiro e Porto Alegre. No Aeroporto Tom Jobim, no Rio, 29 vôos já foram cancelados, entre partidas e chegadas. A assessoria da Varig não confirma os cancelamentos.No domingo, o presidente da companhia aérea, Marcelo Bottini, disse que a retomada das rotas suspensas dependerá do desfecho de negociações que são feitas com as arrendadoras. Essas empresas de leasing "alugam" aviões. Por conta da crise enfrentada pela companhia, esses pagamentos não foram honrados. Dessa forma, as aeronaves ficaram "encostadas", sob ameaça de arresto. Segundo Bottini, já nesta segunda deve haver uma reposta para a situação. Não foi informado quantas das 60 aeronaves da empresa continuam em operação. Até a última quinta-feira, quando, durante leilão, a VarigLog arrematou a companhia por US$ 500 milhões, eram 13 aviões em operação. DemissõesNesta semana, a Varig deverá divulgar uma lista de demissões. A expectativa é que pelo menos 8 mil dos cerca de 10 mil funcionários sejam dispensados. A empresa também deverá anunciar a nova diretoria. A ex-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) é cotada para o cargo.Hoje ela disse que presidir a Varig a "atrai com certeza. É um desafio maravilhoso". O nome da executiva foi cotado na última semana para a diretoria da companhia aérea. Num encontro casual, a executiva respondeu rapidamente algumas perguntas enquanto caminhava para pegar um táxi, no centro do Rio de Janeiro.Quando questionada se havia sido convidada para o cargo na semana passada, ela afirmou que ainda não poderia dizer nada, mas devolveu a pergunta. "Estou fazendo uma enquete. O que você acha?". Maria Silvia não soube dizer se a definição do nome do presidente da Varig sairá ainda esta semana, conforme a própria empresa divulgou na semana passada. "Sou corajosa, mas não sou aventureira. Mas acho este um caso fascinante", afirmou.

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