Anac e Varig reúnem-se para definir rotas que serão cumpridas

Técnicos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) estão, desde o início da manhã de hoje, na Varig para definir, na tarde de hoje, juntamente com a companhia, as rotas que serão feitas. O pedido de ajuda veio da própria Varig. Na noite de ontem, a Anac divulgou comunicado determinando que a Varig deveria informar "imediatamente" os vôos que faria, após ter descumprido outra determinação da Agência que pediu que a companhia retomasse os vôos que suspendeu a partir de sexta-feira. Caso contrário, a Anac definiria as rotas que teriam de ser operadas pela Varig.Durante todo o final de semana, a Varig não conseguiu cumprir a determinação da Anac de retomar os vôos, o que tem causado transtornos e tumultos nos principais aeroportos do país. A Anac ainda não informou se a Varig será punida pelo cancelamento de vôos.Governo quer explicaçõesNa manhã de hoje, o governo resolveu pressionar a Anac. A cobrança do governo veio por meio do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça, que quer explicações da direção da Varig. O DPDC notificou ontem à noite a Anac, que é o órgão regulador do setor aéreo. A interpretação do DPDC é que, desde o leilão em que foi vendida a parte operacional da companhia para a VarigLog, há uma espécie de espaço vazio sobre as responsabilidades da empresa.O diretor do DPDC, Ricardo Morishita, disse à Agência Estado que, ao se comunicar a Anac sobre o caso, o órgão de defesa do consumidor espera que sejam cobrados o presidente da Varig, Marcelo Bottini, e o gestor judicial que, por determinação da lei de recuperação judicial, ainda é o responsável pela parte da empresa que permanece sob responsabilidade da Justiça empresarial do Rio. O DPDC espera que isso ajude a pressionar a Varig a resolver logo essa situação emergencial.Morishita ressaltou que, nos últimos dias, têm sido "flagrantes" os casos de desrespeito ao Código de Defesa do Consumidor pela empresa aérea. Além dos casos relatados na imprensa, o departamento diz que também teve conhecimento de situações em que passageiros ligaram para o call center da companhia, antes de se deslocarem para os aeroportos, e foram informados de que os vôos estavam mantidos.Chegando ao local, no entanto, descobriram que os embarques haviam sido cancelados. "Isso é propaganda enganosa", afirmou Morishita. Ele frisou que "este tipo de desrespeito" pode ter conseqüências muito ruins, não só para a nova companhia que pretende se reerguer após o leilão como também para a aviação comercial em geral.Cancelamentos continuamMesmo sem a autorização da Anac, a Varig continua cancelando vôos por conta da crise pela qual passa. Pelo menos 32 vôos foram suspensos nesta terça-feira, no Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim, no Rio, e no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em Cumbica, São Paulo. No Rio, pelo menos 16 trajetos não foram cumpridos. Dez deles eram domésticos e partiriam para São Paulo, Manaus, Fernando de Noronha, Porto Alegre, Brasília, Salvador, Fortaleza e Foz do Iguaçu. Na malha internacional, foram suspensos os vôos com destino a Buenos Aires, Lima, Caracas e Copenhague. Apesar disso, não houve confusão entre os passageiros na hora de trocar os bilhetes. A movimentação no balcão da companhia aérea, pela manhã, estava reduzida. Os outros 16 vôos cancelados partiriam de São Paulo. Durante toda a manhã, de 20 vôos programados apenas dois foram confirmados - um para Manaus, que deveria partir às 11 horas mais foi antecipado para 8 horas outro para Salvador. Ambos, no entanto, por volta das 9h45 ainda não haviam decolado. Assim como ocorreu no Rio, em São Paulo não houve registro de tumulto de passageiros da Varig. Além disso, quase não filas nos guichês da companhia.

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