Anac recomenda afastamento de diretores da Trip

Relatório de fiscalização sugere a substituição do diretor de Operações e do diretor de Segurança Operacional da empresa

MARINA GAZZONI / SÃO PAULO, GLAUBER GONÇALVES / RIO , O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2012 | 03h06

As investigações da operação da Trip podem resultar na intervenção da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) na empresa e no afastamento de membros da diretoria. A recomendação está em relatório de fiscalização da empresa, datado de 27 de agosto, e obtido pelo 'Estado'.

"Face ao risco envolvido nas operações da empresa Trip Linhas Aéreas, recomenda-se a substituição do diretor de Operações (Fernando Paes de Barros) e também do diretor de Segurança Operacional, Rafael Cohen", diz o documento.

O relatório, assinado por três agentes da Anac, também recomenda a "intervenção da Anac na área operacional da empresa" e o encaminhamento do processo ao Ministério Público Federal, pois "os fatos também se enquadram no rol dos ilícitos penais".

A Anac informou que o processo ainda está em curso e a empresa tem direito a se defender. As recomendações dos fiscais poderão ou não ser adotadas no fim da investigação, que ainda não tem uma data definida.

Fusão. As investigações na Trip ocorrem em um momento em que a empresa está em processo de fusão com a Azul. As duas companhias vão formar a terceira maior empresa do setor.

"Não teríamos nos associado à Trip se não tivéssemos certeza de que é uma empresa idônea e que respeita os procedimentos de segurança", disse o diretor de comunicação da Azul, Gianfranco Beting, que também falou em nome da Trip.

Segundo ele, as acusações de que as práticas adotadas pela empresa ferem as regras de segurança não procedem. Beting lembrou que a Trip tem foco em aviação regional e opera em aeroportos onde há uma infraestrutura deficiente. "O uso da técnica RNAV Approach veio para aumentar a segurança dos voos da Trip e não o contrário", ressaltou.

Azul e Trip já manifestaram a intenção em chegar até o fim do ano como uma empresa só. A fusão depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Anac. Até conseguir as autorizações, as duas empresas são obrigadas a funcionar como companhias separadas.

Quando a fusão for concluída, as empresas terão apenas uma diretoria. A expectativa do mercado era de que os executivos da Azul teriam dominância em relação aos da Trip, mas não foi o que aconteceu do ponto de vista operacional.

O presidente e fundador da Trip, José Mario Caprioli, já foi escolhido como "chief operating officer" (executivo-chefe de operações) da nova empresa que nascerá da fusão. Isso significa que ele será o principal executivo da área operacional da empresa. Ele também será o presidente do comitê executivo da nova companhia.

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