Anac termina reunião sem anunciar punições à Varig

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) determinou às 18 horas de hoje que a Varig e seus novos controladores, a VarigLog, teriam de informar "imediatamente" os vôos que pretende operar no mercado doméstico e no exterior. Caso essa comunicação não seja feita, a Anac definirá as rotas "durante o período de emergência com as aeronaves disponíveis", informou a agência por meio de comunicado. O fato é que a Varig já havia informado, na noite de sexta-feira, que rotas seriam retomadas. O que se esperava da Anac hoje era uma punição à companhia aérea, já que ela cancelou vôos na semana passada - medida que estava proibida no edital de venda do leilão da Varig. Por volta das 19h20, a Varig informou que acabara de receber a determinação da Anac e que ainda não havia nada definido que vôos retomaria.A Anac informou ainda que recebeu nesta segunda-feira a garantia da presidência da Varig de que todos os passageiros da empresa, prejudicados com os cancelamentos de vôos, receberão acomodação. Segundo a Anac, a garantia foi dada pelo presidente da companhia, Marcelo Bottini, em ofício assinado à agência.Segundo a nota, os passageiros em trânsito serão acomodados em vôos de outras empresas, "desde que haja lugares disponíveis nos aviões, lembra a Anac". Também deverão receber refeições em caso de espera acima de quatro horas e acomodação em hotel, caso não haja vôo no mesmo dia.Os passageiros que não iniciaram viagem (na origem) "serão avisados por call center da Varig sobre o cancelamento dos vôos". Esse usuário, de acordo com o documento da Varig, deverão ser acomodados futuramente conforme disponibilidade em classe de reserva especial em vôos regularmente operados pela Varig. "Caso não exista vôo regular operado pela Varig, os bilhetes existentes serão aproveitados, conforme política a ser definida brevemente", relata o texto da nota oficial da agência, sem maiores detalhes sobre o assunto.A Anac ainda orienta que os passageiros que tiverem vouchers da Varig para alimentação e hotéis e que não forem recebidos pelas empresas deverão pagar os gastos e guardar notas e recibos para "posterior ressarcimento junto à Varig".Vôos retomadosNa sexta-feira, a Varig anunciou que restabeleceria alguns vôos nacionais e internacionais a partir deste fim de semana. Por meio de comunicado, a empresa informou que "esta paralisação parcial é necessária até a retomada total do serviço de atendimento a seus passageiros".No comunicado, a Varig informou que hoje, no mercado internacional, foram mantidos apenas os vôos para Frankfurt e Miami a partir do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Amanhã, a companhia deve retomar os vôos para Londres e Nova York. Para Miami e Nova York, a operação será realizada em dias alternados. No domingo, serão acrescentados vôos para Caracas e Buenos Aires.No mercado doméstico, a Varig vai fazer, a partir de amanhã, vôos para Rio-Recife-Fernando de Noronha, São Paulo (Guarulhos)-Fortaleza e São Paulo-Manaus, em dias alternados. A ponte aérea Rio-São Paulo será mantida.A decisão da Varig não obedece a determinação da Anac - retomada de todos os vôos que constam do plano de emergência. Os nacionais são: Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, Manaus, Foz do Iguaçu, Curitiba, Porto Alegre, Fernando de Noronha, Florianópolis, Natal e Brasília, além de Rio e São Paulo. Os internacionais são: Miami, Nova York, Frankfurt, Londres, Buenos Aires, Lima, Santa Cruz, Santiago do Chile, Caracas, Aruba e Copenhagen. Transtorno nos aeroportos A primeira semana pós-leilão começou tumultuada no atendimento aos passageiros. Nos aeroportos, ainda é grande o transtorno provocado pelos adiamentos e cancelamentos de vôos. E, embora a Anac tenha determinado a retomada das rotas canceladas, a Varig declarou hoje, por meio de sua assessoria de imprensa, não ter condições de informar quantos vôos de fato está operando. Na quinta-feira, algumas horas depois de arrematar a Varig, a VarigLog divulgou a suspensão temporária de todas as rotas domésticas e internacionais, mantendo apenas a Ponte Aérea Rio-São Paulo. Até então, eram 25 rotas (11 nacionais e 14 externas).A VarigLog injetou hoje US$ 75 milhões na Aéreo Transportes Aéreos S/A, criada para comprar a Varig. A colocação direta de dinheiro na empresa foi a forma encontrada de fugir de eventuais entraves burocráticos que atrasassem o aporte dos recursos à Varig. Por isso, a Justiça concordou em substituir o depósito judicial, previsto no leilão, pelo investimento direto. Esta foi a primeira parcela do investimento total de US$ 505 milhões, com desembolso previsto ao longo dos próximos 10 anos.Do total que a VarigLog colocou à disposição hoje, US$ 39 milhões foram depositados na sexta-feira passada. Segundo uma fonte da ex-subsidiária, esse dinheiro foi usado para pagar a câmara de compensação da Associação Internacional de Transporte Aéreo, para permitir que outras companhias transportem passageiros da Varig. Também foram pagas taxas aeroportuárias da Infraero e aluguéis devidos a arrendadoras de aviões, entre outras despesas.Nova diretoriaA expectativa é de que a VarigLog anuncie esta semana a nova diretoria da Varig, que manterá a marca, mas irá mudar a razão social para Varig Linhas Aéreas, em vez de Viação Aérea Riograndense. A ex-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Maria Silvia Bastos Marques, não nega nem confirma o convite que recebeu na semana passada, conforme relatou uma fonte da VarigLog. A executiva diz apenas que presidir a Varig a "atrai com certeza. É um desafio maravilhoso".Num encontro casual, Maria Silvia respondeu rapidamente algumas perguntas enquanto caminhava para pegar um táxi, no centro do Rio. Quando questionada se havia sido convidada para o cargo na semana passada, ela comentou que ainda não poderia dizer nada, mas devolveu a pergunta. "Estou fazendo uma enquete. O que você acha?" "Sou corajosa, mas não aventureira. Acho este um caso fascinante", afirmou a executiva.Entre os nomes que estão sendo sondados para o cargo, o da ex-presidente da CSN desponta como o mais forte. Outro fato novo - na verdade a reedição de uma proposta antiga - surgiu hoje: de Portugal, o presidente da estatal aérea TAP, o brasileiro Fernando Pinto, surpreende e diz que mantém o interesse na Varig, mesmo após o leilão."Estamos acompanhando, vendo o processo. Continuamos a ter interesse na Varig", disse. De acordo ele, esse acompanhamento está sendo feito para "no futuro podermos participar de alguma maneira deste processo". Pinto não esclareceu como esse interesse poderia ser demonstrado, se por meio de uma parceria ou a eventual compra da Varig após sua reestruturação.RescisõesEm reunião com a direção da Varig, o advogado da Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil (Fentac), Álvaro Quintão, soube que o valor estimado das rescisões contratuais é de R$ 170 milhões. A companhia, porém, não detalhou o número exato de cortes nem quando acontecerão. No entanto, já se sabe que a idéia é demitir em torno de 8.000 pessoas dos atuais 10.000.

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