Análise: A despeito de incertezas, economia cresce 0,8%

Taxa positiva de crescimento do PIB é a sétima consecutiva desde o fim da recessão

Claudio Considera, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2018 | 15h38

A despeito de todas as dificuldades políticas e as incertezas delas decorrentes, a economia continuou a crescer (0,8%) no terceiro trimestre, quando comparado com o segundo trimestre, na série com ajuste sazonal. Esta é a sétima taxa positiva consecutiva desde o fim da recessão. Não é supérfluo lembrar que esta elevada taxa pode estar sendo influenciada pelo fraco resultado do trimestre anterior quando ocorreu a greve dos caminhoneiros.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2017, na série sem ajuste sazonal, a taxa foi de 1,3%. Nesta comparação, todos os componentes do PIB, tanto pela ótica da oferta quanto pela ótica da demanda, apresentaram resultados positivos, à exceção da Construção. Embora a Construção tenha apresentado taxa positiva no trimestre, em comparação ao trimestre imediatamente anterior (0,7%); sua taxa acumulada no ano de 2018 até setembro é de -2,6% apontando para uma taxa ainda negativa em 2018. Os destaques positivos pelo lado da oferta são a Agropecuária, Transformação, Comércio, e Transportes e Atividades Imobiliárias, todos com taxas de crescimento superiores a 1,6%. Pelo lado da demanda, destaca-se a formação bruta de capital fixo (7,8%), em razão da incorporação das plataformas de petróleo ao seu cálculo.

Ainda na comparação trimestral interanual, vale a pena destacar o detalhamento dos elementos pela ótica da demanda, que são exclusivas do Monitor do PIB-FGV, possibilitando uma análise mais robusta. No caso da formação bruta de capital fixo seu desempenho se deve principalmente ao crescimento de máquinas e equipamentos (22,9%). Este desempenho fortemente positivo ocorre desde o terceiro trimestre de 2017, manifestando a confiança do empresariado numa nova fase de crescimento.

Por sua vez, o Consumo das Famílias continua com taxa positiva (1,4%) quando comparado com igual trimestre de 2017, sendo a sexta taxa positiva da série, desde o segundo trimestre de 2017, com destaque para o consumo de Bens duráveis (6,2%). Este resultado deverá continuar com a progressiva queda do desemprego e a baixa inflação que garante o poder de compra das famílias.

Por sua vez, as taxas trimestrais do comércio internacional de bens e serviços também foram positivas: a exportação de bens e serviços, com +2,6%, foi puxada principalmente por produtos agropecuários (+12,6%), extrativa mineral (+19,4%). As importações também tiveram relevância, crescendo no trimestre 13,5% com destaques para os bens de consumo duráveis (+59,6%) e os bens de capital (+20,9%).

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