ANÁLISE: A era de ouro do mercado de trabalho ficou para trás

O período de recordes sucessivos de redução da taxa de desemprego no Brasil ficou para trás. A taxa, que caiu na comparação com mesmo mês do ano anterior entre janeiro de 2010 e maio de 2013, não deve voltar a reproduzir esse padrão de forma sistemática. Com isso, foi-se a "era de ouro" do mercado de trabalho no Brasil.

FERNANDO DE HOLANDA BARBOSA FILHO *,

25 de julho de 2013 | 02h14

A elevação da taxa de desemprego de junho de 2013 para 6% (maior que os 5,8% do mesmo mês de 2012) mostra de forma clara a tendência de aumento da desocupação, iniciada em março deste ano. A taxa livre de influências sazonais, que estava em 5,2% em março, atingiu 5,7% em junho.

Em outro sinal de desaceleração do mercado de trabalho, os dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, registraram menor crescimento da renda real. O rendimento médio real aumentou 4,1% em 2012, mas, nos últimos 12 meses até junho, o ganho recuou para 2,5%. E houve queda de 0,2% em junho, em relação ao mês anterior.

O Caged, o sistema de contabilização de empregos formais do Ministério do Trabalho, continua a indicar um desempenho pior este ano da geração de postos formais de trabalho, em mais um sinal de arrefecimento. Os dados do Caged apontam que o Brasil criou somente 826 mil vagas formais nos primeiros seis meses de 2013, o pior resultado desde 2009. Este número fez com que a previsão do Ministério do Trabalho, de geração de 1,7 milhão de novos postos de trabalho formais em 2013, fosse revista para algo entre 1,3 e 1,4 milhão.

Em resumo, embora a taxa de desemprego média acumulada no primeiro semestre ainda seja 0,2 ponto porcentual inferior à do ano passado (5,7% ante 5,9% de 2012), os dados indicam que a desocupação deve subir nos próximos meses.

No entanto, essa elevação não deve mudar radicalmente o mercado de trabalho brasileiro. A taxa de desemprego continua em níveis baixos, e qualquer deterioração deve ocorrer de forma gradativa. A entrada de novos trabalhadores no mercado ocorre em ritmo mais lento do que no passado, devido à transição demográfica pela qual o País passa.

Com isso, a taxa de desemprego deve fechar este ano próxima ao nível de 5,5%, na média de 12 meses, registrada em 2012. Entretanto, isso não deve mascarar o fato de que os melhores momentos do mercado de trabalho ficaram para trás. A trajetória do desemprego era declinante em 2012 e agora estamos em direção ascendente. Não será surpresa se o Ministério do Trabalho vier a revisar para baixo a geração de empregos formais até o fim do ano. Dessa forma, o mercado de trabalho em 2014 não deve exibir a exuberância registrada no período histórico mais recente.

 

* FERNANDO DE HOLANDA BARBOSA FILHO É PROFESSOR E PESQUISADOR DO IBRE/FGV.

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