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ANÁLISE-Adubo caro afeta produção de café na América Latina

As árvores maisfracas nas plantações de café de El Salvador são o sinal maisvisível dos problemas que assolam um setor que deveria estar emexpansão. Os preços do café estão próximos dos maiores níveis desdeuma crise no início da década, mas os produtores afirmam que oscustos com fertilizantes avançam com mais força, diminuindo aspossibilidades de um melhor tratamento para as plantas. Na América Latina, região que concentra cerca de 60 porcento da produção mundial, os produtores afirmam que a produçãopode cair. "Com os preços dos fertilizantes tão altos, não conseguimosfertilizar e sentiremos os efeitos na próxima colheita", disseLuis Roque, agrônomo da companhia de exportação de café UNEX,que cultiva grãos de arábica em El Salvador. Enquanto observa as árvores de café alinhadas na encosta deum vulcão próximo, na cidade de Santiago de Maria, Roque apontaos galhos atrofiados de plantas outrora robustas, nas quais asfolhas cada vez mais finas evidenciam a subnutrição. Os preços dos fertilizantes, estáveis por praticamente umadécada, decolaram no ano passado diante da forte demanda e doaumento nos preços do petróleo e do gás natural. Os governos latino-americanos acompanham a elevação dospreços e as potenciais consequências, já que o café é uma dasprincipais fontes de receita nas exportações de muitos paísesda região, onde as árvores e suas cerejas vermelhas decorammuitas encostas de montanhas. Com menos nutrientes, as árvores suportarão menos grãos doque o normal no próximo ano, o que provavelmente impulsionaráos preços da segunda commodity mais negociada do mundo, atrásapenas do petróleo. Os preços dos fertilizantes baseados em fosfatoquintuplicaram de valor nos últimos 15 meses, para 1.230dólares a tonelada. Neste nível sem precedentes de preço, osprodutores precisam utilizar quase um terço da receita obtidapor libra-peso de café apenas para pagar pelos fertilizantes. Na Colômbia, terceiro maior produtor mundial de café efamoso por cultivar grãos de alta-qualidade, o governo reservou50 milhões de dólares para subsidiar a compra de fertilizantesneste ano. "O governo está muito consciente da situação. Está apoiandoos produtores com subsídios para os fertilizantes num sistemapor hectare", disse Jorge Lozano, diretor da Associação deExportadores de Café Colombiano. Países pobres como a Nicarágua abastecem os produtores comfertilizantes vendidos a preço de custo pela Venezuela. A ajuda é recebida de braços abertos por pequenosprodutores, que ainda não se recuperaram da queda nos preçosentre 2000 e 2004, quando alguns foram obrigados a abandonarsuas propriedades e muitos deixaram de investir na manutençãodas lavouras. Desde então os preços se recuperaram, atingindo máximashistóricas neste ano, mas os custos operacionais acabamabocanhando os lucros. "O que tivemos de recuperação nos preços foi, em grandeparte, perdido por conta do aumento nos custos", disse NéstorOsorio, diretor da Organização Internacional do Café (OIC)durante uma visita recente a El Salvador. O impacto na produção, segundo os fazendeiros, deve sersentido nos próximos anos, quando as árvores produzirem menospor conta da falta de nutrientes. "Teremos uma boa colheita (no ano que vem) ... mas aseguinte é que será afetada. Estará bastante comprometida",disse Paulo Gontijo, especialista em café da Epamig, em MinasGerais. O Brasil, maior produtor mundial de café, espera uma safraabundante em 2008/09 por conta do período de alta no ciclobienal das árvores. (Reportagem adicional de Peter Murphy em São Paulo, HugBronstein em Bogotá e Mica Rosenberg na Cidade do México)

BRIAN HARRIS, REUTERS

13 de agosto de 2008 | 17h24

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