Daniel Teixeira/Estadão
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Aumentos em eletrodomésticos, vestuário, transportes, saúde e cuidados pessoais ajudaram a puxar a inflação

Fábio Romão*, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2020 | 04h00

Em outubro, mais uma vez, os preços dos alimentos subiram bastante. Mas a aceleração do IPCA no mês não se deveu isso: o grupo, que tem sido o maior “vilão” da inflação, desacelerou. Em rigor, foram os aumentos em artigos de residência (mobiliário e eletrodomésticos), vestuário, transportes (passagem aérea), saúde e cuidados pessoais (higiene pessoal) e despesas pessoais os que mais incomodaram.

Não por acaso, a média dos principais núcleos de inflação (segundo o Banco Central) registrou alta de +0,54%, a maior desde dezembro de 2019. Entre janeiro e setembro esse indicador subiu em média apenas +0,14% – reflexo das restrições que a pandemia impôs à formação dos preços, sobretudo de Serviços. E os núcleos deverão se manter pressionados nas próximas leituras, à medida que os repasses das pressões de custos se disseminem para além dos preços dos alimentos.

O resultado de outubro sugere uma mudança persistente no comportamento de itens que até recentemente vinham desempenhando papel de “mocinhos”, ao limitarem a alta do IPCA. Essa mudança é, ao lado da pressão nos alimentos, o que tem elevado as expectativas para o IPCA em 2020: há poucas semanas elas estavam abaixo de +2,0%, e agora já estão perto de +3,0%.

A LCA projeta alta do IPCA de +3,2% neste ano, passando a +3,6% em 2021, aceleração puxada por Serviços (com a provável diluição das restrições de circulação) e pelos preços Monitorados pelo governo (cujos reajustes, em alguns casos, “compensarão” descontos oferecidos em 2020).

Como se sabe, o IPCA é indexador de parte de si mesmo; e vários de seus itens têm reajustes condicionados pela evolução do IGP-M/FGV, cuja alta esperada para 2020 vem subindo há mais tempo e com mais força. A aceleração do índice se deve, sobretudo, aos preços no atacado – uma pressão de custos cujo repasse aos preços finais, em 2021, poderá ser ao menos parcialmente chancelado pelo crescimento do PIB de 3,2% que projetamos para o próximo ano.

Também é evidente o atual descasamento entre oferta e demanda de várias categorias de matérias-primas e bens intermediários, uma restrição que, mesmo pontual (ligada ao comportamento precaucional de produtores no início da pandemia), poderá pressionar diversos preços até os primeiros meses de 2021.

Por fim, nosso cenário contempla uma apreciação do real em 2021, o que seria um alívio para a inflação; contudo, esta perspectiva está sob risco, devido às incertezas quanto à evolução das contas públicas.

Em resumo, o palco está montado para aumentos em itens que até há pouco tempo vinham sendo os “mocinhos” da inflação – e caminham para se tornarem “vilões”.

*ECONOMISTA SÊNIOR DA LCA CONSULTORES

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