MARCOS DE PAULA/ESTADÃO
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ANÁLISE: Alta da produção industrial não é só 0,2%

O desenvolvimento da confiança industrial mostra robustez no 2º semestre, o setor vem crescendo e se aproxima do final do ano com estoques equilibrados, um cenário virtuoso que já se reflete nas decisões estratégicas de contratação e de investimento

Tabi Thuler Santos e Silvio Sales*, O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2017 | 22h19

O primeiro olhar sobre o leve aumento da produção industrial em outubro, divulgado nesta terça-feira, 5, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pode desanimar o leitor. Porém, após três anos consecutivos registrando quedas significativas, o setor acumula alta de 1,9% da produção no ano. Se mantiver esse mesmo nível de produção nos dois últimos meses de 2017, já estaria assegurado um crescimento de 2,2% frente ao ano anterior – o primeiro desde 2013, ano que marca o início da crise.

A desagregação do resultado o torna mais interessante. A difusão do crescimento é importante, sendo a melhor na comparação interanual desde abril de 2013, período em que crescimentos na produção eram mais frequentes. O maior espalhamento entre os segmentos traz qualidade e consistência ao resultado.

++Produção industrial sobre 0,2% em outubro ante setembro, aponta IBGE

Também importante é a evolução dos bens de capital. Após começar o ano impulsionado pelos fortes resultados da agricultura, o setor inicia o quarto trimestre com desempenho mais diversificado, com destaque para o aumento da produção de bens de capital para fins industriais – um sinalizador de que a própria indústria volta, aos poucos, a investir.

Portanto, o que a pesquisa mostra é que os números da indústria brasileira gradativamente ganham força. O desenvolvimento da confiança industrial mostra robustez no segundo semestre, o setor vem crescendo e se aproxima do final do ano com estoques equilibrados, um cenário virtuoso que já se reflete nas decisões estratégicas de contratação e de investimento.

*COORDENADORA DA SONDAGEM DA INDÚSTRIA DO IBRE/FGV

ECONOMISTA E CONSULTOR DO IBRE/FGV

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