ANÁLISE: Aumento de recursos é positivo e representa vitória para agricultura

Empresários e especialistas do setor ponderam que os juros são 'pesados', mas que Plano Safra 2015/16 reconhece importância da agricultura para o País

O Estado de S. Paulo

02 de junho de 2015 | 15h13

O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa Carvalho, considerou o Plano Safra 2015/16, divulgado nesta terça-feira, 2, em Brasília, uma "vitória" da ministra da Agricultura, Kátia Abreu. "Num período de seca de créditos, de redução no Orçamento, isso mostra que o governo voltou a mostrar interesse pelo agronegócio, como há tempos não mostrava", disse, em referência aos R$ 187,7 bilhões destinados ao setor - 20% mais na comparação com o plano anterior.

Corrêa Carvalho ponderou, contudo, que os juros do atual Plano são "pesados" para o agronegócio, mas que, mesmo assim, "todos têm de entender que estamos em um período de ajuste fiscal". As taxas de juros no Plano Safra 2015/16 variam de 7% a 8,75% ao ano. Para o financiamento de custeio, a juros controlados, estão programados R$ 94,5 bilhões, o que representa um aumento de 7,5% em relação ao ciclo anterior.

Ainda de acordo com o presidente da Abag, o ideal seriam planos plurianuais, que seriam menos complexo do que o anual atualmente feito pelo governo.

Importância para o PIB. Para o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS), Paulo Pires, a alta no volume de recursos é "altamente positiva" e representa o peso cada vez maior do setor na economia brasileira. "Este crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio no primeiro trimestre foi importante para o governo e o pacote apresentado hoje reconheceu isso", disse ao Broadcast, serviço de informações da Agência Estado. Entre janeiro e março deste ano, o agronegócio brasileiro cresceu 4,7% e contribuiu para que o PIB brasileiro recuasse apenas 0,2% no período.

Pires informou que se surpreendeu particularmente com o financiamento de custeio a juros controlados, para o qual o governo programou R$ 94,5 bilhões, 7,5% a mais em comparação com o período anterior. "Era onde tínhamos mais receio de que pudesse haver redução, mas a retração do crédito que se verifica no País não se refletiu no Plano Safra", explicou.

O ponto negativo fica por conta da elevação dos juros no Plano Safra deste ano. "Embora já fosse de certa forma esperado, o aumento do custo do financiamento representa uma preocupação a mais ao plantio deste ano, porque o momento já é de alta generalizada dos custos da lavoura", avaliou.

Segundo o presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Celestino Zanella, a demora na divulgação do plano preocupa em termos do planejamento dos custos do setor de algodão do oeste baiano. "A nossa região é uma que normalmente trabalha praticamente um ano na frente com tudo. Nós já deveríamos ter todos os pacotes tecnológicos, todos os pacotes de insumos, praticamente tudo desenhado e fechado", disse o presidente da Aiba. "Isso dá um frio na barriga, porque nós vamos atrasar e concentrar compras no segundo semestre. Se nós sabemos que temos o recurso, porém, mesmo um pouco mais caro, nós vamos negociar", concluiu. 

Maquinário. O conselheiro e segundo vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), João Marchesan, afirmou que os juros e os recursos anunciados pelo governo "estão de bom tamanho". Dos R$ 187,7 bilhões em crédito agrícola, R$ 10 bilhões serão para a modernização da frota de equipamentos agrícolas. No ano passado, o programa e o PSI (Programa de Sustentação do Investimento) obtiveram aportes de R$ 8 bilhões.

"Os recursos estão de bom tamanho tento em vista tudo que está acontecendo no País. Os R$ 10 bilhões serão suficientes para boa parte da safra. Se não forem, voltaremos a conversar com o governo", disse Marchesan, após acompanhar a cerimônia de apresentação do Plano Safra, em Brasília. O conselheiro da Abimaq considerou ainda que a manutenção de contrapartida de 10% ao produtor, com 90% de financiamento do governo, para os investimentos em máquinas agrícolas novas, foi a melhor notícia do Plano Safra. 

"Em outros programas, o volume financiado máximo pelo governo é de 70%. O que precisa é o agricultor ter confiança novamente e voltar a investir (em máquinas), porque ele vai seguir plantando", concluiu. (Reportagem de José Roberto Gomes, Gabriela Lara, Leticia Pakulski e Gustavo Porto) 

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