Análise: Andando sobre gelo fino

A crise política interessa a poucos, principalmente corporações e grupos que rejeitam reformas e ameaças ao status quo

Zeina Latif, Impresso

17 Junho 2017 | 17h00

Não se recupera do desastre de Dilma da noite para o dia. A crise abalou estruturas e reduziu o potencial de crescimento do País.

A queda consistente da inflação é a prova do acerto da atual política econômica. Essa é a senha para a recuperação.

Há sinais de estabilização da atividade, mas não de retomada. A demanda interna caiu no primeiro trimestre, refletindo ainda as condições monetárias restritivas de trimestres atrás.

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A crise política poderá enfraquecer a retomada, pelo impacto no crédito e na confiança. Não é o caso de um “duplo mergulho”. Poderá haver um recuo do PIB no segundo trimestre, uma vez que elementos presentes no primeiro, como a safra agrícola recorde, não deverão se repetir. Isso não deve ser lido, no entanto, como aprofundamento da crise.

Os sinais de recuperação serão crescentes daqui para a frente. A política monetária bem conduzida funciona para ativar a economia. O balanço das empresas melhora, o crédito flui, a confiança, o consumo e o investimento voltam.

Apesar da confusão política, não é um governo que perdeu o rumo ou que poderá ser substituído por outro que mudaria o time e a política econômica.

Mas a ponte para 2019, que afastaria o risco de aventuras na eleição de 2018, não está garantida. É importante que a recuperação seja forte o suficiente para gerar empregos. A margem para erros é estreita. Se a crise política for longa e o governo reagir mal, desviando-se da rota original, a recuperação poderá ser mais lenta.

Neste caso, a campanha eleitoral seria ruidosa, deixaria os mercados voláteis, agravando o quadro. A depender do resultado do pleito, prejudica-se também o crescimento de longo prazo.

Nem tudo depende do governo. A crise política interessa a poucos, principalmente corporações e grupos de interesse que rejeitam reformas e ameaças ao status quo. Que o bem comum prevaleça.

* ECONOMISTA-CHEFE DA XP INVESTIMENTOS

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