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As ações mais recomendadas para dezembro, segundo 10 corretoras

ANÁLISE-Após forte queda, Bovespa tende a voltar ao fundamentos

A idéia de que o Ibovespa estáexcessivamente deprimido começa a se cristalizar entreprofissionais do mercado, depois de o principal índice da Bolsade Valores de São Paulo amargar queda superior a 20 por centoem 60 dias. Mesmo levando-se em conta nuvens carregadas de incerteza nohorizonte de curto e médio prazos, especialistas consideram queo atual patamar das ações distanciou-se demais da realidade dascompanhias. "Os investidores estão desconsiderando um pouco osfundamentos das empresas", avalia Ronaldo Boruchovitch,co-presidente da asset do UBS Pactual no Brasil. Segundo ele, mesmo com o repique da inflação nos últimosmeses, que levou a um ciclo de aperto monetário e consequenteredução das perspectivas de crescimento econômico, osfundamentos da economia brasileira seguem sólidos, o quepermite acreditar num desempenho positivo da Bovespa. "O Ibovespa está excessivamente 'descontado"', concordaMarcelo Audi, estrategista do Santander. O profissional lembra, em extenso relatório, que vemrecomendando cautela com investimentos na bolsa desde novembro,devido à piora dos cenários doméstico e internacional --acombinação de inflação em alta e crescimento econômico em baixanão é exatamente um indicativo animador para se investir emações. "No entanto, à medida que o tempo passa, os fatores derisco que nos dizem respeito tendem a ser superados, ou a ficarperto disso, levando-nos a rever nossa análise", diz trecho dorelatório em que já recomenda forte compra de açõesbrasileiras. A idéia predominante é que, mais cedo ou mais tarde, essadistorção nos preços provocada por uma corrida por liquideztende a ser superada. "Chega uma hora em que o fundamento prevalece", diz ValmirCelestino, gestor de renda variável do banco Safra. PESO DOS ESTRANGEIROS Esse descompasso entre fundamentos e performance no mercadotem sido especialmente dramático no caso das blue chipsPetrobras e Vale, as mais importantes do Ibovespa. A petroleira perdeu quase 30 por cento do valor de mercadodesde que atingiu sua máxima, no início de julho. O caso damineradora é ainda pior: um terço do valor da empresa evaporouem dois meses. E mesmo a queda recente nos preços de commodities, apontadacomo responsável pelo mergulho das ações de ambas, pode serinsuficiente para explicar o movimento. A cotação do barril dopetróleo, por exemplo, ainda não chega a ser nem 20 por centomenor do que o pico de 147 dólares em meados de julho. A possibilidade de o governo federal criar uma estatal paraadministrar as reservas de petróleo na camada pré-saldescobertos pela Petrobras, hipótese tida como potencialmentenegativa para as ações da companhia, também pode ser umaexplicação limitada, avalia Celestino. "A ação da Petrobras hoje vale menos do que antes doanúncio do megacampo de Tupi, em novembro, que impulsionou asações", compara. Para analistas, um fator que ajuda a entender melhor essequadro é a corrida dos investidores estrangeiros para fazercaixa. Entre junho e julho, o movimento produziu uma saídalíquida de 15 bilhões de reais da bolsa paulista. Com 35 por cento do giro financeiro da Bovespa, essepúblico tende a sempre ditar o comportamento do índice. É o que mostra um levantamento recente feito pelo InstitutoNacional de Investidores (INI). O estudo mostra que, entrejaneiro de 2005 e junho de 2008, a correlação entre a variaçãodo índice e o peso dos aportes ou retiradas dos estrangeiros ésuperior a 72 por cento. "Ou seja, a retirada de recursos dos estrangeiros é a maiorresponsável pelas quedas na bolsa e vice-versa", explica ogerente geral do INI, Paulo Portinho. Analistas destacam que alguns eventos recentes --como adivulgação de balanços do segundo trimestre e a manutenção dojuro nos Estados Unidos-- tornaram o panorama um pouco maisclaro, algo propício para a recuperação da bolsa. (Edição de Daniela Machado)

ALUÍSIO ALVES, REUTERS

07 de agosto de 2008 | 15h24

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