Análise: Atividade econômica reage no segundo trimestre do ano

O desempenho favorável da construção civil e da importação de bens de capital impulsionou o investimento, que exibiu a primeira reação após dois trimestres de retração

Silvia Matos e Luana Miranda*, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2019 | 16h04

Os dados divulgados pelo IBGE confirmaram o cenário de aceleração do PIB discutido pelo Boletim Macro IBRE há vários meses.

A indústria exibiu desempenhos mistos.  Por um lado, a indústria extrativa seguiu em trajetória de queda, refletindo a brusca redução da produção de minério de ferro após o desastre em Brumadinho. Por outro, a indústria de transformação registrou o primeiro trimestre de crescimento após dois trimestres consecutivos de queda e a construção civil finalmente registrou o primeiro avanço interanual desde o início da última recessão.

Em termos interanuais, houve uma aceleração do crescimento de 0,5% no primeiro trimestre para 1,0% no segundo. Se excluirmos as contribuições negativas provenientes da agropecuária e da extrativa, setores que foram contaminados por choques de oferta não antecipados, a aceleração seria ainda maior, de 0,7% no primeiro trimestre para 1,4% no segundo.

O desempenho favorável da construção civil e da importação de bens de capital impulsionou o investimento, que exibiu a primeira reação após dois trimestres de retração. Ainda assim, o investimento está 26% abaixo do pico registrado em 2013. Apesar do avanço na margem, a perspectiva para o crescimento do investimento este ano é desanimadora, apenas 2,4%, inferior ao do ano passado. Mas esta projeção inclui as importações de plataformas antigas de petróleo. Ao desconsiderá-las, o investimento cresceria apenas metade deste valor.

O consumo das famílias também avançou e continua sendo o principal motor da recuperação no pós-recessão e deve crescer 2,0% no ano.

Para este ano, nossa projeção de crescimento é de 1,2%. A melhora no cenário da confiança, redução moderada da incerteza econômica, afrouxamento das condições financeiras e a liberação dos recursos do FGTS corroboram esse cenário. Contudo, o principal risco para o crescimento deste ano está associado ao cenário externo mais desafiador e o aumento da aversão ao risco, que pode prejudicar os países emergentes e levar a uma nova rodada de aperto das condições financeiras nacionais. 

*Economistas e pesquisadoras do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV)

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