SERGIO CASTRO/ESTADÃO
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ANÁLISE: Balança reflete mistura de recessão com desvalorização cambial

Período favorável de exportação de produtos básicos explica bom momento da balança, que deve continuar até o fim do ano, segundo economista

Flavio Leonel, O Estado de S. Paulo

03 de agosto de 2015 | 16h50

SÃO PAULO - O fator sazonal positivo, que leva em conta o período favorável de exportação de produtos básicos, continua sendo o elemento principal para explicar o momento atual da balança comercial. Mas a melhora dos últimos meses em relação ao começo do ano também é explicada por detalhes ligados à crise econômica, mais precisamente a mistura de recessão com desvalorização cambial no Brasil. 

A opinião é do economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Camargo Rosa, que em entrevista ao Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado, avaliou que os números divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) sobre julho mostram um cenário positivo para a balança que deve continuar no restante do segundo semestre.

"Acredito que exista um mix de recessão batendo de um lado e o câmbio ajudando do outro", comentou Camargo Rosa. "Na sequência do segundo semestre, veremos uma melhora nas exportações de manufaturados de uma maneira mais expressiva", disse.

Hoje, o MDIC anunciou que a balança comercial do sétimo mês de 2015 apresentou saldo positivo de US$ 2,379 bilhões, com exportações de US$ 18,526 bilhões e importações de US$ 16,147 bilhões. O resultado veio dentro do intervalo de estimativas coletadas pela Agência Estado, já que os economistas do mercado financeiro aguardavam superávit de US$ 250 milhões a US$ 2,6 bilhões, com mediana de US$ 2,3 bilhões.

Camargo Rosa, da SulAmérica Investimentos, aguardava um saldo positivo de US$ 2,4 bilhões e ficou muito perto de cravar o resultado. Para agosto, espera um número bem próximo do observado em julho. "Entre US$ 2,4 bilhões e US$ 2,5 bilhões", informou, salientando que os números ainda são preliminares. 

Quanto à projeção para a balança de 2015, o economista da SulAmérica disse que sua previsão está mantida em superávit de US$ 6 bilhões. O número está em linha com a mediana da mais recente pesquisa Focus do Banco Central, de US$ 6,4 bilhões. 

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