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ANÁLISE-Banco brasileiro têm apetite menor por ativo no exterior

Nos últimos anos, enquanto colossos financeiros vergaram mundo afora, os bancos brasileiros se fortaleceram, ficando na inédita condição de compradores no exterior.

ALUÍSIO ALVES, REUTERS

21 de outubro de 2011 | 17h55

Mas o mesmo cenário que lhes deu visibilidade também está adiando seus planos de conquistar o mundo.

O motivo são os reflexos do agravamento da crise de dívida soberana da zona do euro. Por um lado, isso tem dificultado a avaliação dos ativos financeiros no mundo inteiro, mesmo dos bancos que não carregam títulos de países que estão no olho do furacão --como Grécia, Portugal, Itália e Espanha.

Assim, mesmo com pechinchas aparecendo em todo lugar, os bancos brasileiros que têm apetite mais público para comprar ativos fora do país estão preferindo esperar um pouco mais.

Além disso, as regras de Basileia serão mais exigentes com as instituições financeiras internacionais tidas como grandes demais para quebrar.

"Os preços dos bancos caíram, mas fica muito difícil avaliar ativos bancários num momento como esse", diz o economista João Augusto Frota Salles, da consultoria RiskBank.

O Banco do Brasil --que deu partida na internacionalização de braço de varejo com a compra do argentino Patagônia e desembarcou depois nos Estados Unidos adquirindo o Eurobank-- chegou a prever que a fatia do exterior em suas receitas subiria de 1 para 10 por cento até o final da década.

Mais recentemente, o banco estatal moderou o discurso. Numa mão, desacelerou as conversas para aquisição de participação no chileno Corpbanca por quem tinha mostrado interesse.

Noutra, as negociações do BB para entrada na África foram congeladas por causa do Banco Espírito Santo (BES), segundo disse à Reuters um executivo do BB, sob condição de anonimato. O banco português está às voltas com a crise de dívida soberana da zona do euro, da qual seu país-sede é um dos protagonistas.

Entrar na África do Sul, na parceria com BB e o BES, era o único vetor de estrangeirização do Bradesco no varejo. O projeto, anunciado em 2010, nunca saiu do papel.

AMÉRICA LATINA

Fincar bandeiras pela América Latina foi uma das primeiras missões reveladas quando Itaú e Unibanco se uniram, há três anos. Mas inclusive pelo foco em concluir a integração, desde então, a única ofensiva de varejo do banco para fora foi a aquisição da minúscula operação de varejo do HSBC no Chile, no mês passado, por 20 milhões de dólares.

"Não temos nenhuma operação de vulto prevista para logo", disse recentemente à Reuters o diretor do Itaú Latam, Natalísio de Almeida Junior.

Nesta semana, o canadense ScotiaBank acertou a compra do Colpatria, quinto maior grupo financeiro da Colômbia, por cerca de 1 bilhão de dólares, fechando uma porta para Itaú Unibanco e BB, que têm citado o mercado colombiano como um de seus destinos preferidos para expansão na América Latina.

BASILEIA

Num momento como o atual, é compreensível que os bancos não queiram crescer sem ter segurança de que vão manter a solidez de que gozam atualmente.

Um relatório do Banco Central mostrou que o índice de Basileia do sistema bancário brasileiro era de 16,9 por cento em junho, mais que o dobro do recomendado internacionalmente, de 8 por cento.

E, do ponto de vista externo, ganhar visibilidade internacional é justamente o que os bancos brasileiros não querem. Pelo menos não até saberem quanto isso vai lhes custar. O motivo: a versão 3 do Acordo de Basileia define que bancos considerados grandes demais para quebrar no mundo terão que reservar mais capital de nível 1 entre 1 a 2,5 pontos percentuais. A adaptação à nova regra deve acontecer entre 2016 e 2018.

No mês que vem, o Comitê de Basileia deve divulgar uma lista de 27 instituições financeiras consideradas sistemicamente importantes. Segundo a revista especializada The Banker, BB, Itaú Unibanco e Bradesco figuraram entre os 25 maiores lucros de bancos do mundo em 2010.

"Não é provável que o Itaú ou outro banco brasileiro esteja na lista (das 27 maiores instituições de Basileia) porque a conexão internacional das instituições financeiras daqui ainda é limitada", acredita o diretor de controladoria do Itaú Unibanco, Rogério Calderón.

Pelo sim, pelo não, os bancos nacionais estão preferindo ficar na defensiva. Também porque daqui a alguns anos já terão que enfrentar um desafio da realidade brasileira.

"Basileia 3 vai limitar o uso de crédito tributário como parte do capital, e alguns bancos podem ter que levantar capital", observa Calderón, ressalvando que este não deve ser o caso do Itaú Unibanco.

Segundo o economista Salles, da RiskBank, após o fim do uso de créditos fiscais, hoje comum entre os grandes bancos brasileiros, alguns podem ter que aumentar em até 3 pontos o índice de Basileia que têm atualmente.

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