Marcello Casal Jr./Estadão
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Análise: BC pode ter de elevar juros mais cedo do que imagina

Crise fiscal vai levar a nova deterioração do câmbio, pressionando ainda mais os custos de uma indústria já pressionada

Sergio Vale*, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2020 | 04h00

Quando a pandemia começou, havia o receio de que o choque de oferta gerado pela paralisação da produção levasse a um aumento inflacionário. Isso apenas não aconteceria se houvesse rápida solução da crise e as indústrias voltassem a produzir rapidamente.

Passados vários meses, a indústria se recuperou, voltando aos níveis de antes de abril, mas em diversos segmentos nota-se uma volta mais lenta da produção, que ajuda a explicar parte dos aumentos de custos recentes. Mas, além disso, aqui o que está acontecendo na agropecuária também se vê nas commodities metálicas: há uma conjunção rara de pressão de preços de commodities e depreciação cambial que aflige os alimentos, mas também todo tipo de produto industrial que depende de componentes da cadeia metálica. 

O Indicador de Preços no Atacado (IPA) do IGP-DI atingiu 57,7% no componente agropecuário e 22,2% no industrial em 12 meses até outubro. Essa pressão muito forte de custos pode ter o repasse diminuído por ora por conta da recessão, mas a inflação acumulada em um cenário ainda de instabilidade em 2021 pode fazer com que as empresas tenham que começar a repensar sobre repassar a pressão de custos ou não. 

De certa forma, alguma pressão incipiente já começa a se observar no IPCA, em que outros preços além dos alimentos começam a ser impactados, como vestuário, móveis e eletrodomésticos e materiais de construção. Parte dessa pressão diminui ano que vem com a saída do auxílio emergencial, mas segue sendo uma pressão acumulada de custos muito elevada para as empresas que pode levar a nova rodada de piora no mercado de trabalho junto com algum repasse. Emparedadas ao não poder repassar as pressões na cadeia, quem pode pagar a conta é o empregado e um mini ciclo de estagflação pode estar sendo iniciado.

A crise fiscal que só aumenta vai levar a nova deterioração do câmbio, pressionando ainda mais os custos de uma indústria já muito pressionada. Certamente, o cenário não parece condizente com taxa de juros a 2% a perder de vista e o BC terá que subir a Selic talvez mais cedo que imaginava.

*ECONOMISTA-CHEFE DA MB ASSOCIADOS

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