ANÁLISE-Brasil pode festejar novo status, mas tem de avançar

O Brasil tem motivo para comemorarseus dois graus de investimento, mas analistas disseram que odia da formatura ainda está por vir se o país não realizar asevitadas reformas estruturais. A Fitch Ratings elevou o Brasil para "BBB-" naquinta-feira, um mês após a Standard & Poor's se tornar aprimeira grande agência de classificação de risco a dar ao paísa esperada aprovação. Analistas receberam o movimento como um reconhecimento dosfundamentos cada vez mais sólidos do Brasil, incluindo o rápidocrescimento e superávit primário e comercial. E um reconhecimento que irá colocar o gigante, uma vezadormecido, no alcance dos radares de uma quantidade maior deinvestidores e assegurará um fluxo constante de capital para opaís. Mas a Moody's Investor Service, que ainda mantém o Brasilabaixo do grau de investimento, afirmou que o país precisareduzir ainda mais a sua dívida. Alguns analistas também tememque o Brasil fique complacente e disseram que o país deveráenfrentar as reformas estruturais para acabar com seusproblemas fiscais de uma vez por todas. "Não há mais dúvidas sobre a solvência fiscal do Brasil,ainda existem diversos desafios em termos de estrutura fiscal earcabouço fiscal no Brasil", disse Marcelo Carvalho, economistachefe do Brasil da Morgan Stanley. Carvalho disse que a carga tributária é muito alta e osistema tributário muito complexo. O Brasil tem uma cargatributária equivalente a mais de 34 por cento do ProdutoInterno Bruto, uma das maiores entre os mercado emergentes. Mas as receitas dos impostos têm ajudado a sustentar osuperávit primário, apesar do orçamento nominal sejafrequentemente um déficit e o superávit comercial estar seestreitando por uma alta nas importações. Carvalho ainda disse que o orçamento é muito rígido e queprecisa ser melhor priorizado. PISANDO EM OVOS A administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silvatrabalhou para aprovar apenas uma reforma tributária parcial em2003, pois faltou apoio dos 27 governadores, que temiam umaqueda das receitas com as mudanças. Analistas disseram que as reformas são chaves para adecolagem de economia do Brasil. A Fitch elogiou o desempenhoeconômico do Brasil, seus esforços para reduzir sua dívida e oseu sucesso em controlar a inflação, mas disse que o paíspoderia estar melhorando as suas contas públicas. "O Brasil obviamente continua tendo restrições em suaavaliação, isto é a fraqueza estrutural de suas finanças, umaalta dívida e o ritmo glacial de suas reformas", disse ShellyShetty, diretora sênior de ratings para América Latina daFitch, disse em teleconferência. O ministro da Fazenda Guido Manteda disse nesta sexta-feiraque o Brasil irá elevar seu superávit primário em pelo menos0,5 por cento do PIB, uma tentativa clara de mostrar ocomprometimento do governo com a cautela fiscal. Autoridades também descartaram o risco do Brasil voltar acrescer complacentemente com seu novo título e voltar aosvelhos e destrutivos hábitos de gastos. Zeina Latif, economista chefe do Brasil da Banco Real,afirmou que os temores são exagerados. "As preocupações com a redução do déficit público não serãoalterados pois, com ou sem grau de investimento, é um problemapara o mercado", disse ela. Mas ela estava menos otimista sobre o alcance das reformassob o governo atual. "O fator-chave (para melhorias) é o crescimento econômico,e para ter um crescimento sustentável eles precisam enfrentaros problemas fiscais e regulatórios. E isto não está na agendado Lula. Estes serão desafios para o próximo governo."

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