ANÁLISE-Bush e Congresso enfrentam pressão sobre economia

O presidente dos Estados Unidos,George W. Bush, e o Congresso, controlado pelos democratas,estão cada vez mais pressionados a deixarem de lado suasdiferenças sobre o Iraque e a saúde e encontrarem posiçõescomuns para ajudar a recuperação econômica do país. Muitos economistas temem que uma recessão esteja a caminhodos EUA, que sofrem com a crise do crédito imobiliário, aconseqüente redução do crédito geral e o preço do petróleoperto de 100 dólares por barril. Qualquer tentativa de evitar uma recessão com medidas comoisenções fiscais temporárias para famílias pode esbarrar noclima de ano eleitoral. Mas alguns analistas acham que nem osrepublicanos nem os democratas poderão se dar ao luxo deignorar preocupações econômicas tão graves quanto as atuais. "É muito comum quando se está em recessão ou perto de umaque os dois lados vejam se podem trabalhar juntos para ajudar aeconomia", disse Kevin Hassett, economista do AmericanEnterprise Institute, uma entidade conservadora. Uma fonte parlamentar republicana disse que a Casa Brancacogita benefícios fiscais temporários, mas ainda não sedecidiu. Os democratas são favoráveis a benefícios fiscais, masos dois lados poderiam discordas se deveriam focar essasisenções em um grupo específico, como a classe média. Alguns economistas dizem que seria preciso um estímulo de50 a 100 bilhões de dólares na economia dos EUA para gerar umimpulso significativo. Bush tem dito que vai ouvir recomendações de assessorespara um possível pacote econômico que poderia ser anunciado emseu discurso do Estado da União, no dia 28. PRINCIPAL QUESTÃO Enquanto isso, a economia é o principal tema na volta dorecesso parlamentar. A presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, seencontrou nesta segunda-feira a portas fechadas com opresidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, e disse esperar umpacote fiscal para a economia que possa ser coordenado comações do Fed para reduzir os juros. O plano econômico deve ser "oportuno, no alvo, etemporário", disse Pelosi. Da mesma forma, o secretário do Tesouro, Henry Paulson,disse que um programa de estímulo deve ser temporário eprojetado para agir rapidamente. Bush tem pressionado há muitopara tornar permanentes seus cortes de impostos de 2001 e 2003,ainda que Paulson tenha reconhecido que o Congresso de maioriademocrata não deva fazer isso. Entre vários republicanos, a prioridade seria reduzir as para taxas de juros para empresas. Entre os democratas, muitosdefendem mais gastos públicos, em obras de infra-estrutura, porexemplo, além de benefícios fiscais para a classe média e aampliação do seguro-desemprego. Pelosi e o líder democrata no Senado, Harry Reid,escreveram na sexta-feira a Bush pedindo um encontro o maisrápido possível para discutir a economia. Tony Fratto, porta-voz da Casa Branca, disse que assessoresdo presidente já iniciaram consultas no Congresso. Bush deveencontrar líderes de ambos os partidos quando voltar de suaatual viagem ao Oriente Médio. Fratto disse que Bush ainda não se decidiu sobre um pacoteeconômico. Mas ressaltou: "Acho que haverá interesse suficientede ambas as partes" para aprovar algo rapidamente",acrescentou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.