Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Análise: Cenário desafiador para o mercado de trabalho neste início de ano

Resultado de janeiro mostra que o desemprego segue em patamar próximo do recorde da série histórica iniciada em 2012

Rodolpho Tobler*, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2021 | 04h00

Os efeitos da pandemia tornaram o ano de 2020 muito difícil para a economia e ainda mais para o mercado de trabalho. Vale ressaltar que antes mesmo da crise sanitária ainda vivíamos um período de recuperação da última recessão e de maneira mais intensa pela informalidade. 

Na virada para 2021, o resultado de janeiro mostra que o desemprego segue em patamar próximo do recorde da série histórica iniciada em 2012. Mas o que esperar para o resto do ano?

Alguns fatores sugerem que o cenário para o mercado de trabalho ainda vai ser desafiador, em especial nos primeiros meses do ano. O primeiro deles é a finalização dos programas do governo, o que torna mais urgente a busca por algum tipo de renda das pessoas que recebiam o benefício. Apenas a partir de abril é esperada uma nova rodada de transferências, mas em menor valor. 

Outro ponto é a diferença dessa crise para outras no passado. O setor de serviços, que costumava ser mais resiliente, foi fortemente afetado e, por ser o que mais emprega, gera um grande obstáculo na retomada dos empregos.

Além dos fatores mencionados, entre fevereiro e março estamos observando piora expressiva no quadro da pandemia, e a necessidade de adoção de medidas restritivas para conter a disseminação do vírus. Essas restrições de funcionamento e de circulação das pessoas prejudica o cenário de retomada do mercado de trabalho, em especial os setores que demandam algum tipo de interação pessoal, como: comércio de rua, bares, restaurantes, hotéis, serviços domésticos e outros. 

O fator que pode ajudar a acelerar esse processo, com certeza é a vacinação. A partir do momento que for possível observar os efeitos na redução do número de óbitos, e de hospitalização, vai ser permitido imaginar flexibilização das medidas, o que pode gerar um impulso na recuperação da economia, mas só deve acontecer a partir do segundo semestre.

Enquanto isso não ocorre, o mercado de trabalho deve continuar fragilizado e com muita incerteza sobre quando vamos voltar ao nível anterior à pandemia.

*RESPONSÁVEL PELOS INDICADORES DO MERCADO DE TRABALHO DO IBRE/FGV

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