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E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

ANÁLISE-Com liquidez incerta, mercado fica mais seletivo

O mundo pode ficar menos líquido e oinvestidor, mais seletivo. Analistas ainda não cravam em quedimensão a recente turbulência vai enxugar a liquidez global,mas apostam que o investidor ficará mais atento a ativos dequalidade. O solavanco provocado pelo setor de crédito imobiliário derisco dos Estados Unidos é o terceiro por que passa o mercadoeste ano, depois de temores sobre o superaquecimento daeconomia da China e o primeiro round das preocupações com ochamado mercado "subprime". "Agora vai ter uma separação maior entre ativos dequalidade e os de menor qualidade, e o Brasil está bem", avaliao estrategista-chefe do BNP Paribas no Brasil, Alexandre Lintz,citando a situação positiva do balanço de pagamentos, inflaçãosob controle e perspectiva de grau de investimento. Segundo analistas, não há como evitar uma queda maisdramática num dia em que, por exemplo, o índice Standard &Poor''s 500 cai mais de 3 por cento, mas o Brasil pode sediferenciar."À medida que a poeira do susto financeiro abaixe e a percepçãodo tamanho do risco fique mais clara, países como Brasil, NovaZelândia ou Austrália, que não têm déficit em conta corrente etêm um montante de reserva internacional bastante expressivopodem se beneficiar", afirma o economista-chefe do Unibanco,Marcelo Salomon. Na quinta-feira, o abatimento foi geral. O principal índicede ações da Bovespa chegou a cair 6 por cento, o dólar avançoumais de 3 por cento frente ao real, e os índices acionários deWall Street perderam quase 3 por cento. O risco Brasil decolou mais de 30 pontos-básicos, enquantoo risco médio dos emergentes avançou 25 pontos. MAIS VOLATILIDADE Apesar da avaliação de que o Brasil está hoje melhorpreparado para enfrentar choques externos, os analistas nãodescartam um mundo mais volátil. "O mercado ainda vai ter que digerir a questão do créditoimobiliário dos Estados Unidos... Tem muita volatilidade àfrente. O fato de ter liquidez muito farta (durante longoperíodo) deixou a volatilidade muito baixa", diz Lintz. Para a Modal Asset Management, o momento é de observaçãopara o gestor. "Não mudamos ainda o nosso cenário de ''inérciapositiva'' para o mercado brasileiro até o final de 2007,(mas)... a melhor opção neste momento é a cautela", aponta emrelatório. "Desta vez, a situação parece mais séria. Portanto, vale apena respeitar o atual movimento, dados os recordes sucessivosatingidos pelas bolsas mundiais recentemente e o aumento àaversão ao risco mundial."

DANIELA MACHADO E JULIANA SIQUEIRA, REUTERS

26 de julho de 2007 | 19h56

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