Análise: Confirmando a regra da inflação

Transcorridos 11 meses, a inflação acumulada no ano alcança 2,50% e seria preciso que a taxa de dezembro superasse 0,5% para que o IPCA terminasse 2017 acima dos 3%

Salomão Quadros, O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2017 | 21h44

Transcorridos 11 meses, a inflação acumulada no ano alcança 2,50%. Seria preciso que a taxa de dezembro superasse 0,5% para que o IPCA terminasse 2017 acima dos 3%. Os dados coletados nesse início de mês, todavia, não respaldam essa hipótese, sendo mais provável que a inflação do ano fique mesmo abaixo dos 3%. Será a menor em quase 20 anos, similar à inglesa, e de tão inusitada exigirá que o Banco Central demonstre que não exagerou na dose dos juros.

Não parece uma argumentação difícil de sustentar. Afinal, mais de dois terços da desaceleração inflacionária ocorrida em 2017 se explicam pela redução de quase 15 pontos de porcentagem da taxa de variação dos preços dos alimentos, sobre os quais é pouco significativa a influência da política monetária.

Um subconjunto de preços mais sensíveis à ação do Banco Central é aquele formado pelos preços livres, excluídos os alimentos. Aí se encontram serviços e bens de consumo, duráveis e não duráveis.

Diferentemente do que se passa com os alimentos, que podem facilmente mudar de velocidade e de sentido, os demais preços livres, especialmente os de serviços, movem-se com mais vagar e previsibilidade. Em novembro de 2016, a taxa acumulada em 12 meses desse grupo alcançava 6,14%. Um ano depois, a variação registrada em período de igual extensão é de 3,11%. É legítimo afirmar que o resultado mais importante de 2017 foi a diminuição da inércia inerente a esses preços.

Isso significa que, em 2018, esse conjunto exercerá um papel atenuador da inevitável elevação da taxa inflacionária. A elevação decorrerá sobretudo da volta dos preços de alimentos ao seu curso normal, encerrando a deflação provocada pela safra recorde de 2017. Tudo somado, é razoável esperar uma inflação superior a 4%, mas com alguma folga em relação à meta de 4,5%. Fica o registro de que a disputa eleitoral de 2018, que promete ser das mais acirradas, poderá modificar essa e outras previsões.

Salomão Quadros é superintendente adjunto para inflação do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV).

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