ANÁLISE: Corte de vagas deve bater novos recordes até novembro

Para o economista da Fundação Seade Alexandre Loloian, o desemprego em 2015 está atípico e não há sinais de melhora

Igor Gadelha , O Estado de S. Paulo

25 Setembro 2015 | 16h19

SÃO PAULO - Apesar de a desvalorização cambial sinalizar um possível "alento" para o mercado de trabalho, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) deve mostrar, até novembro, novos recordes de desemprego no Brasil, avaliou nesta sexta-feira o economista da Fundação Seade Alexandre Loloian. Em agosto, o saldo líquido de emprego formal no País foi negativo em 86.543 vagas, número melhor do que o de julho (-157.905 vagas), mas ainda o pior resultado para o mês desde 1995.

"Estamos em uma direção que nada indica que vá ter alguma recuperação até o final do ano", avaliou Loloian. De acordo com ele, a desvalorização cambial pode significar "algum alento" para os setores da economia, sobretudo para indústria, por possibilitar aumento das exportações e substituição das importações, abrindo, assim, margem para geração de vagas. Mesmo nesse cenário, ele ressalta que os recordes de desemprego devem continuar, pois a base de comparação será sempre mais alta do que a deste ano.

"O desemprego está atípico em 2015, crescendo muito mais que em anos anteriores", comentou o economista. Segundo ele, em outros anos, a ocupação começava a crescer a partir de abril ou maio e seguia assim - cenário diferente do deste ano, quando o desemprego começou a aumentar a partir do segundo trimestre. Para Loloian, é difícil prever o futuro do mercado de trabalho para além de 2015, diante das incertezas econômicas. "Se bem que chega uma hora que você já fez tanto ajuste que não tem o que ajustar", ponderou. 

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