ANÁLISE-Crescimento da A.Latina é surpresa,assim como a inflação

O crescimento econômico na AméricaLatina continua sendo uma surpresa agradável neste ano, mas ainflação também voltou antes das expectativas da maioria doseconomistas, alimentada pelo forte consumo doméstico e os altospreços das commodities. A boa notícia é que o crescimento econômico também estáfacilitando o tratamento desta inflação pelos bancos centrais,no entanto, nem todos os países estão dispostos a adotarpolíticas monetárias ortodoxas. "A surpresa em termos de crescimento nos mercadosemergentes neste ano é a América Latina", disse Joyce Chang,chefe de estratégia de mercados emergentes da JPMorgan, duranteuma recente conferência organizada pela empresa degerenciamento de ativos Ashmore Investment Management. A América Latina tipicamente seguia os Estados Unidos emuma recessão, mas desta vez até mesmo o Fundo MonetárioInternacional estima que a região irá crescer 4,4 por centoneste ano frente a uma previsão de um crescimento de 0,5 porcento nos Estados Unidos. Esse é ainda um desempenho modesto se comparado àexpectativa de crescimento de mais de 7 por cento nos mercadosemergentes asiáticos, e quase 6 por cento nos emergenteseuropeus, mais foi o suficiente para as ações da América Latinaterem o melhor desempenho entre essas regiões no ano passado. Apesar de temerem um comprometimento do crescimento daAmérica Latina se os preços das commodities caírem, muitoseconomistas argumentaram que a escassez de petróleo e outrosmetais colocará um piso sobre os preços dos produtos exportadosda região como petróleo, cobre e soja em particular. "Eu acredito que os preços das commodities se manterão poreste motivo", disse Jerome Booth, líder de pesquisa da Ashmore,para quem os aumentos dos preços é estrutural e não uma bolhaespeculativa. Os preços dos alimentos, por outro lado, devem recuar nomédio prazo com os países elevando a produção, removendo acausa principal da inflação na América Latina, disse ele. No curto prazo, no entanto, a inflação continua sendo oprincipal problema na região, saltando 6,6 por cento neste anofrente os 5,4 por cento em 2007, segundo o FMI. Isso irá provavelmente iniciar um ciclo de políticas deaperto monetário que vai elevar o diferencial das taxas dejuros entre os países desenvolvidos e os países emdesenvolvimento, aumentando assim a atração das moedaslatino-americanas, disseram analistas. "O que nós estamos enfrentando agora como o grande problemaé a inflação e como os governos irão lidar com ela", disse MikeConelius, gente de carteira da T.Rowe Price. "Relacionadas a isso temos a política e onde ela sedeteriorou em lugares como a Venezuela, Argentina, Turquia,Indonésia, Vietnã", disse ele. CAMPOS OPOSTOS O choque comum da inflação que passa por toda a AméricaLatina está dividindo a região em dois campos. O Campo A, que inclui Brasil, Chile, Colômbia, Mêxico ePeru, está lidando com a alta dos preços mantendo os jurosconstantes ou mesmo elevando-os, enquanto que o Campo B, quecontêm Argentina, Bolívia, Equador e Venezuela, possui umideologia política que impede repostas com apertos da políticamonetária.

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