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Análise: Crescimento e reforma

Nem tudo foi positivo no PIB, mas também conta muito a respeito da baixa produtividade da economia brasileira

Fernando Honorato, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2020 | 04h00

O PIB brasileiro vem crescendo ao redor de 1,0% desde 2017. Esse desempenho frustrante, à luz das expectativas iniciais, não nos impede de identificar claramente os contornos de uma agenda de reformas e uma política econômica que se estabeleceram desde então. 

O teto dos gastos tem ajudado a diminuir o risco de solvência e, com isso, produziu queda dos juros e do risco país, aceleração do emprego e do crédito.

Foram criados quase 2 milhões de empregos no ano passado, com tímida, mas crescente participação dos empregos formais, em claro sinal de resposta da economia ao novo arranjo de política econômica. O crédito livre se expande no maior ritmo desde 2012. Como reflexo desse arranjo, o gasto do governo encolheu 0,4% no ano passado, enquanto as atividades ligadas à renda e aos juros, aceleraram, com o consumo crescendo 1,8% e os investimentos, quase 2,5%. 

A construção civil reverteu uma queda de quase 4,0% para uma expansão de 1,6% e os serviços de informação cresceram 4,0%. 

Nem tudo foi positivo no PIB, é verdade: a indústria extrativa encolheu com a tragédia de Brumadinho e a de transformação ficou estagnada. Esta última, conta muito a crise global do ano passado, que fez nossas exportações contraírem 2,5% – e seremos desafiados adicionalmente pelo coronavírus em 2020.

Mas também conta muito a respeito da baixa produtividade da economia brasileira. Mesmo com forte expansão do crédito, juros baixos e câmbio depreciado, a indústria não conseguiu crescer. Isso reflete o tamanho do desafio das reformas necessárias no País: infraestrutura, educação, consolidação fiscal, tributária, maior inserção global e aumento da competição na economia, com redução no custo de se fazer negócios. 

Tudo isso requer coordenação política, boas instituições, persistência e aprofundamento na agenda econômica. Mas, se essa última até agora não entregou a desejada aceleração do PIB, já fez crescer a demanda doméstica e tem pavimentado o caminho para um crescimento mais sustentado e equilibrado no médio prazo, com criação de empregos e inflação e juros baixos.

* ECONOMISTA-CHEFE DO BRADESCO

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