ANÁLISE-Crise global dá mais peso a grau de investimento do país

Foi a cereja do bolo. O grau deinvestimento alcançado pelo Brasil nesta quarta-feira atépoderia ser uma notícia morna depois de vários emergentes jáestarem nessa categoria, mas o momento ajudou: foiespecialmente importante que o carimbo tenha vindo durante umacrise global. "Isso tem efeito aos olhos do investidor internacional eterá impacto em termos de fluxo de capitais e em investimentosprodutivos", afirmou Caio Megale, economista da MauáInvestimentos, gestora de recursos capitaneada pelo ex-diretordo Banco Central Luiz Fernando Figueiredo. A nota "BBB-", atribuída pela Standard & Poor's, atesta queé reduzida a probabilidade de um calote da dívida pelo Brasil.Mais: o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disseque isso "mostra o aumento da resistência da economiabrasileira a choques externos". Para os economistas, o país pode se firmar como um destinoprivilegiado de investimentos diante do cenário externoturbulento e das perspectivas de recessão nos Estados Unidosainda não descartadas. Joel Bogdanski, economista do Itaú, lembra que grandesfundos mútuos norte-americanos e europeus, por exemplo, têmrestrições para aplicar em países que não são grau deinvestimento. "Agora depende apenas da vontade deles." Com alta superior a 6 por cento, maior valorização diáriano governo Lula, o principal índice de ações brasileiras tevefechamento recorde. "No curto prazo vamos ter uma euforia nos mercados. Essaeuforia é seguida por um movimento especulativo, em que vocêperde o teto dos preços, mas depois se acha o patamar",analisou Nicola Tingas, economista-chefe da FederaçãoBrasileira de Bancos (Febraban). Álvaro Bandeira, economista-chefe da Ágora Corretora, temavaliação semelhante. Para ele, o que importa no longo prazo éque o Brasil "vai estar na mira do mundo inteiro em função doreconhecimento de boas práticas de política econômica". Mas Alexandre Schwartsman, economista do banco ABN Amro doBrasil e ex-diretor da área externa do BC, lembrou que o Brasilainda tem desafios. "Não significa que, de repente, o país resolveu todos osproblemas econômicos. Há muito a fazer em termos de reformas(estruturais)", disse. "As enormes tarefas, no entanto, podem esperar até amanhã.Hoje é dia de comemorar", brincou. (Reportagem adicional de Aluísio Alves)

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