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ANÁLISE: Desarticulação da base em semana crucial

Além de sete ministros de Estado, 11 deputados federais integraram a comitiva do presidente Michel Temer à China

Irany Tereza, O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2017 | 23h57

BRASÍLIA - Além de sete ministros de Estado, 11 deputados federais integraram a comitiva do presidente Michel Temer à China. A desarticulação da base aliada em uma semana quase acéfala de lideranças deixou como maior saldo negativo a derrota do governo na questão orçamentária. Por falta de quórum não foi aprovada a autorização do Legislativo para o déficit de R$ 159 bilhões nas contas públicas em 2017 e 2018.

Havia em plenário 38 deputados a menos do que o total de 257 exigidos. Está certo que os acompanhantes de Temer correspondem a apenas um terço dos faltosos. Mas, costumam fazer diferença em plenário. Quando já estava evidente que o governo sairia derrotado, deputados da oposição provocavam: "Cadê o Perondi?".

Darcísio Perondi (PMDB-RS) acompanha os trabalhos legislativos munido de uma planilha que atualiza constantemente. Do plenário, liga para deputados ausentes e não mede esforços para tentar reverter placares desfavoráveis. Não raro acorda os colegas convocando-os para a sessão. Mas, o Planalto achou que o vice-líder do governo seria mais importante na viagem à China.

Outro que contribui, por vias pouco convencionais, a manter o quórum é o deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG), atual vice-presidente da Câmara. Promove jantares em seu gabinete onde o destaque é o leitão à pururuca. Parlamentares da base e da oposição se reúnem no rega-bofe. E permanecem para a sessão plenária. O Planalto também achou que Ramalho, substituto de Rodrigo Maia (PMDB-RJ) na presidência na Câmara, era imprescindível na China. E, de quebra, deixou o estreante André Fufuca (PP-MA) presidindo a Casa.

Completaram a caravana Carlos Marun (PMDB-MS) e mais oito deputados da tropa de choque do governo. Não fosse a necessidade urgente de levá-los à China, a um custo ainda não divulgado, mas que será incorporado às despesas deste ano, o governo poderia ter evitado a derrota.

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