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Análise: Economia deve sustentar ritmo moderado de expansão nos próximos trimestres

Redução dos riscos de insolvência fiscal com o encaminhamento da reforma da Previdência e os efeitos da política monetária estimulativa devem se traduzir em expansão um pouco mais robusta

Alessandra Ribeiro*, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2019 | 16h43

Os números do PIB do segundo trimestre mostraram-se um pouco melhor do que o esperado, evidenciando que a economia brasileira sustenta ritmo bastante gradual de retomada. Com o resultado, afastou-se, portanto, o temor de nova fase de retração da atividade econômica na sequência da queda registrada no primeiro trimestre.

No que diz respeito ao PIB industrial, os desempenhos da indústria de transformação e da construção civil foram os principais responsáveis, pelo lado da oferta, pelo resultado melhor em relação ao esperado. Já pelo lado da demanda, a surpresa positiva concentrou-se nos investimentos. O comportamento mais favorável dessas rubricas é especialmente importante, após dois trimestres seguidos de queda.

Para frente, a expectativa é de sustentação de ritmo pouco superior ao observado no primeiro semestre (média trimestral de 0,2%). A redução dos riscos de insolvência fiscal com o bom encaminhamento da reforma da Previdência e os efeitos da política monetária estimulativa devem se traduzir em expansão um pouco mais robusta, ainda que o crescimento do ano deva ficar abaixo de 1,0%.

Os riscos para essa trajetória encontram-se no contexto externo e no ambiente político doméstico. O quadro internacional marcado por desaceleração mais significativa das principais economias do globo e o ambiente de elevada aversão ao risco afetam a economia brasileira por canais diversos, como do comércio e financeiro. No âmbito doméstico, o risco advém do Executivo, ao contribuir para manutenção de quadro de incerteza elevada que afeta de maneira importante decisões de consumo e, principalmente, de investimento, como bem provam os modelos econométricos.

Em suma, além do andamento da boa agenda econômica, é importante o governo trabalhar para reduzir as incertezas, o que certamente contribuirá para a sustentação do ritmo moderado de crescimento nos próximos trimestres.

*Diretora de Macroeconomia e Análise Setorial da Tendências Consultoria

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