ANÁLISE-Economia dos EUA pode ser capaz de resistir à recessão

As perspectivas econômicas para osEUA podem parecer sombrias em Wall Street, mas nas demais ruasdo país as empresas estão com dinheiro na mão, os consumidorestêm empregos com renda regular e o combalido mercadohabitacional dá sinais de estabilização. Uma onda de dados ruins levou muitos analistas a concluíremque os EUA rumam para uma recessão, opinião particularmenteacatada pelo setor financeiro de Wall Street, muito afetado noano passado pela crise do crédito imobiliário. Mas alguns economistas dizem que a economia mais rica doplaneta pode ter pontos fortes suficientes para evitar umarecessão. Em dezembro, as contratações quase pararam, elevando odesemprego ao seu maior nível em mais de dois anos. Ao mesmotempo, um importante índice industrial caiu abaixo do nível de50, indicando retração. Em seguida veio a notícia do inesperado declínio do varejodurante dezembro, o que fez de 2007 o pior ano em termos degastos da população em meia década. Mas, fora do setor financeiro, a maioria das empresas nãoestá demitindo nem tem estoques imensos encalhados, e os lucrosse mantêm regulares. "Não acho que haja precondições para uma recessão", disseKen Mayland, da ClearView Economics, da região de Cleveland. Mayland lembrou que os estoques estão em níveis baixos emrelação às vendas, e que os pedidos de auxílio-desemprego nãoindicam recessão. Embora tenha havido um aumento desse indicador nos últimosmeses, eles não se aproximam ainda dos 400 mil pedidos porsemana, o que segundo especialistas sinaliza recessão. O ano de 2007 também teve o menor número de cortes deempregos anunciados em sete anos, segundo a Challenger Gray &Christmas, que acompanha anúncios de demissões coletivas emempresas. "A retração do setor de moradias não se traduziu em cortesdisseminados de empregos fora do setor financeiro", disse JohnChallenger, que dirige a empresa em Chicago. Além disso, a renda continua subindo. Em novembro, o aumento foi de 6,6 por cento em comparaçãoao ano anterior. A renda salarial (um indicador mais estrito)teve aumento de 5,9 por cento, embora a maior parte do ganhotenha sido comida pela inflação, de 3,6 por cento. E o mercado habitacional, que ceifou cerca de 1 pontopercentual da taxa de crescimento anual dos EUA em cada um dosúltimos cinco trimestres, pode se estabilizar em breve. O índice de vendas pendentes de moradias da AssociaçãoNacional de Corretores, que serve de base para os economistasavaliarem as condições futuras do setor, flutuou muito pouconos últimos meses. "Se houver algum novo declínio agora, provavelmente serámuito marginal", previu Lawrence Yun, economista-chefe daassociação.

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