ANÁLISE-Economistas torcem por 'efeito disciplinador' pós-CPMF

O fim da CPMF pode ter um efeitopedagógico, obrigando o governo a cortar gastos e finalmenteencarar um problema considerado crucial por economistas da áreaacadêmica. A derrota do governo no Congresso tira do governo umareceita anual de cerca de 40 bilhões de reais, pouco menos de10 por cento da arrecadação federal. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nestaquinta-feira que as medidas para minimizar esse impacto sóserão anunciadas na próxima semana, depois do aval dopresidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas garantiu que a metafiscal será cumprida "rigorosamente". "Do ponto de vista da eficiência microeconômica, (o fim daCPMF) é favorável porque exerce um poder disciplinador sobre ogoverno", avalia Aloisio Araújo, da Fundação Getúlio Vargas(FGV) no Rio de Janeiro. "E com o PIB maior, você já tem uma arrecadação extra derecursos." José Scheikman, professor da Universidade de Princeton,argumenta que o nível de despesas correntes do governo é muitoalto e que, portanto, há "gordura" para se queimar. "O governo, em todos os níveis, gasta muito mais do quepaíses ricos... Há várias alternativas à CPMF, mas o idealseria não cortar investimentos, que ainda são muito baixos noBrasil, e nem aumentar impostos." Os dados mais recentes do Tesouro Nacional mostram que asdespesas aumentaram 13,6 por cento de janeiro a outubro frenteao mesmo período do ano passado --superando o crescimento doPIB nominal, de 9,33 por cento. O destaque ficou com os gastos de custeio e capital, queavançaram 15,3 por cento no período, e com as despesas depessoal e encargos sociais, que cresceram 13,1 por cento. Enquanto isso, a arrecadação total aumentou 14 por cento,em termos nominais. O consultor e ex-presidente do Banco Nacional deDesenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Carlos Lessa se dizimpressionado com o fato de o debate da CPMF não tocar noassunto "gasto financeiro do governo". Ele defende, a exemplo do que fazia no governo, a reduçãodo juro. "Eu cortaria na massa de juros e dívida pública. Afinal, oBrasil vai pagar quase 160 bilhões de reais de dívida pública.E eu restauraria o Imposto de Renda sobre as aplicações deestrangeiros em títulos de dívida pública". Para o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, cabeao governo "fazer de um limão uma limonada". "Os chineses dizem que toda crise é uma oportunidade. Semdúvida é uma crise, mas não há razão para se tornar grande se ogoverno agir de forma adequada... eu gostaria de ver um caminhopara a eliminação da CPMF e a redução da carga." (Reportagem adicional de Denise Luna e Rodrigo Viga Gaier,no Rio de Janeiro; edição de Alexandre Caverni)

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