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ANÁLISE-Efeito do aperto sobre o crédito é limitado por enquanto

O aperto monetário conduzido noBrasil impacta o crédito, mas as mudanças trazidas nos últimosanos pela estabilidade econômica garantirão mais um ano deforte crescimento do setor, que vem sendo um dos motores daeconomia, segundo analistas. O efeito mais imediato dos dois aumentos na taxa básica dejuro da economia feitos até agora será ajudar na contenção dasexpectativas inflacionárias dos agentes, na medida em quesinalizam que o Banco Central não será tolerante com aumentosde preços. Na quarta-feira, o Banco Central realizou a segunda altaconsecutiva da Selic, de 0,50 ponto percentual, levando a taxabásica de juro da economia brasileira a 12,25 por cento ao ano.A maior parte do mercado acredita que o juro chegará ao fimdeste ciclo de aperto monetário próximo aos 14 por cento. Mesmo levando essses aumentos em conta, Alex Agostini,economista-chefe da Austin Rating, estima um crescimento docrédito à pessoa física de 25 por cento neste ano, abaixo daalta de 33 por cento de 2007, mas ainda acima da média dosúltimos anos. Para a pessoa jurídica, ele vê uma alta de 27 por cento em2008, contra 34 por cento em 2007. "São taxas fortes ainda", afirmou Agostini. Sua avaliação éque, depois de enfrentar anos de instabilidade econômica, obrasileiro, diante de um cenário mais previsível, seguiráapostando nos financiamentos para adquirir bens. "O crédito no Brasil mudou muito nos últimos anos, assimcomo mudou a estrutura da economia brasileira, tanto no mercadode capitais quanto no de crédito." Bruno Rocha, economista da Tendências Consultoria, tambémressalta essa mudança estrutural no país e cita como resultadosdisso os amplos prazos de financiamento e a inadimplênciaestável. "Os últimos dados do Banco Central mostram que o processode alongamento de prazos segue firme, tendo sido verificado umtermo médio de empréstimos da ordem de 450 dias corridos, o queequivale a um acréscimo de aproximadamente cinco meses emrelação ao verificado no início de 2004", ano de fortecrescimento da economia, afirmou Rocha. Um bom exemplo da importância dos prazos é o setorautomotivo, um dos destaques da economia que vem batendosucessos recordes de vendas. Os prazos de financiamento chegam,e em alguns casos isolados ultrapassam, a 72 meses e a taxa deinadimplência do setor é uma das menores entre os bensduráveis. A inadimplência da economia como um todo caiu 0,1 por centono primeiro trimestre, segundo os últimos dados do BC,situando-se nos 7 por cento. Em 2006, a indimplência fechou oano a 7,6 por cento e, em 2007, a 7 por cento. MANUTENÇÃO DO CRESCIMENTO A questão dos prazos e da inadimplência, somada àcontinuidade de bons condicionantes da demanda, levam osanalistas a prever que o crédito seguirá com ritmo considerávelde crescimento também em 2009. Rocha diz que o encarecimento do crédito e umadesaceleração econômica prevista para este ano em relação aoforte patamar de 2007 "resultarão em desaceleração dos saldosde empréstimos bancários, que, ainda assim, deverão exibirelevado crescimento nos próximos dois anos". Para o ano que vem, ele estima uma alta do crédito à pessoafísica de 22,4 por cento. Para a pessoa jurídica, o prognósticoé de aumento de 21,9 por cento. Na parte da demanda, os indicadores de renda sugerem que oconsumidor continuará tendo como manter esses níveis baixos deinadimplência. Fábio Silveira, economista da RC Consultores, vê, porexemplo, um crescimento da massa real de rendimentos de 5,5 porcento neste ano, que se daria sobre uma base já forte em 2007,quando a alta foi de 6,8 por cento. (Edição de Isabel Versiani)

VANESSA STELZER, REUTERS

05 de junho de 2008 | 11h36

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