ANÁLISE: Em compasso de espera

Apesar da brutalidade dos números, os dados de maio sore desemprego fornecem algum alento

Fernando de Holanda Barbosa Filho*, O Estado de S.Paulo

30 Junho 2017 | 23h56

A situação do mercado de trabalho brasileiro continua dramática. O desemprego continua elevado e brasileiros ocupados gostariam de trabalhar mais horas. No longo prazo, o problema mais grave são os quase 3 milhões de brasileiros desempregados há mais de dois anos. Eles terão ainda mais dificuldades no mercado de trabalho. Em geral, formalmente pouco qualificados, seu conhecimento fica defasado rapidamente e à medida que o tempo de desemprego aumenta, suas chances de reinserção se reduzem. Este grupo merecerá atenção especial, caso contrário a crise atual terá efeitos permanentes em sua empregabilidade.

Apesar da brutalidade dos números, os dados de maio fornecem algum alento. A taxa de desemprego voltou a recuar pelo terceiro mês seguido e o número de desempregados, que já foi de 14,2 milhões em março, recuou para 13,8 milhões em maio. Ou seja, a recuperação que se desenhava no horizonte, parece estar se concretizando, ainda que em ritmo lento.

A recuperação se apresenta qualitativamente da forma esperada. Maior geração de empregos sem carteira para compensar a perda de postos formais de trabalho do último ano. Ainda sobre o mercado de trabalho, mesmo os dados do Caged mostraram criação líquida de postos formais pelo segundo mês consecutivo, com saldo de 35 mil postos de trabalho em maio. Ou seja, os números se movem lentamente na direção de uma melhora.

Os dados de maio confirmam a recuperação gradual que pode ter sido, pelo menos, retardada com os eventos políticos desencadeados pela gravação contra o presidente Michel Temer.

A boa notícia é que o mercado de trabalho não deve voltar a piorar, caso a crise política (e seu aprofundamento) não inviabilize a governabilidade. Neste caso, o fundo do poço já terá sido atingido. Os próximos meses poderão nos confirmar a recuperação, apesar do aprofundamento da crise política, ou indicar estagnação com elevado desemprego. Infelizmente, teremos que aguardar.

* PESQUISADOR DO IBRE/FGV

 

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