ANÁLISE-Emergentes não 'descolam', mas ainda têm melhor situação

À medida que a volatilidade dosmercados financeiros globais causa as primeiras rachaduras naarmadura das economias emergentes, poucos analistas aindasustentam a tese de que os países em desenvolvimento passarãoincólumes por uma possível recessão da economia dos EstadosUnidos. A chamada teoria do "descolamento" foi rapidamentedescartada após os mercados acionários emergentes terem caídocerca de 16 por cento até agora no mês. Em um painel de Davos, nesta quarta-feira, um pessimistapresidente do banco central do México admitiu: "Este mundo de'descolamento' --eu não acho que isso tenha algum significado". Guillermo Ortiz reafirmou, porém, que as economias daAmérica Latina estão em melhor posição para superar atempestade do que nunca. Como Ortiz, muitos analistas ainda vêem os mercadosemergentes como bons abrigos contra o aperto do crédito queameaça a maioria das economias desenvolvidas. Eles argumentam que, com o balanço de pagamentos sustentadopor exportações à China, países antes que implicavam maisriscos estão mais bem equipados para superar adversidadeseconômicas, embora algum dano seja inevitável. A diferença agora é que, com o fortalecimento das economiasem desenvolvimento, investidores não têm mais a tradicionalreação de retirar dinheiro de mercados emergentes toda vez queuma crise acontece, disse Jerome Booth, chefe de pesquisa daAshmore Investment Management. "Agora o sapato está em outro pé", disse o analista, quedefende a tese de que o mundo emergente substituiu mercadosdesenvolvidos dos Treasuries como "portos-seguros". "A atual parcela mais significativa de liquidez, de mais de85 por cento da população mundial vivendo em países emdesenvolvimento, está pensando: 'embora pensemos que osTreasuries são seguros, eles claramente não são. É melhorvendermos ativos dos EUA e do mundo desenvolvido e trazermos odinheiro de volta para casa, para mercados emergentes", disseBooth. DESCOLAMENTO DESILUDIDO Apesar do aumento de força das economias emergentes,analistas dizem que a desaceleração global irá inevitavelmentecausar um reequilíbrio no apetite de investidores pelo risco,assim como nos preços dos ativos. "Grandes economias de mercados emergentes devem continuar acrescer respeitavelmente --especialmente os que têm altasreservas internacionais. Mas suas taxas de crescimento deexportação vão sofrer um golpe", afirmou o analista Arnab Das,da Dresdner Kleinwort, em uma nota de pesquisa, alertando quenão há um possível "descolamento" em meio à globalização. A teoria do "deslocamento" se saiu bem no ano passadoquando a crise de hipotecas de alto risco nos EUA (subprime)resultou em um aperto global de crédito. Ações de mercados emergentes ganharam 36,5 por cento em2007 e títulos soberanos valorizaram 6,4 por cento, segundo oíndice Morgan Stanley Capital International e o índice EMBI+ do JP Morgan, respectivamente. No mesmo período, o indicador Standard & Poor's 500 subiuapenas 3,5 por cento, após perder a maior parte de seus ganhosde 2007 nos últimos dois meses do ano, quando preocupaçõessobre a saúde da maior economia do mundo afastou investidores. Mas o escudo dos mercados emergentes começou a mostraralguma fraqueza. Enquanto o S&P 500 caiu cerca de 12 por centodesde 1o de janeiro, os mercados acionários emergentesdespencaram cerca de 16 por cento. Títulos soberanos emergentes apagaram todos os seus ganhosde 2008 na terça-feira, apesar da decisão emergencial doFederal Reserve de cortar em 0,75 ponto percentual a taxabásica de juros dos EUA, uma medida que geralmente aumenta oapetite por ativos de alto rendimento. "Nós realmente nos saímos relativamente bem em relação aoutros setores. Tudo vai depender se os EUA vão entrar ou nãoem recessão", disse Emil Babayev, gerente de fundos do JPMorgan Asset Management em Nova York, acrescentando que omovimento do Fed deve "ajudar a aliviar algumas das pressões naeconomia".

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