ANÁLISE-Emprego fraco encerra debate sobre recessão nos EUA

O segundo mês consecutivo de quedano nível de emprego encerrou o debate sobre se os EstadosUnidos estão vivendo uma recessão. A pergunta agora é como sairdela. "Apague a luz. A festa acabou. Estamos em recessão", disseJoseph Brusuelas, economista da IDEAGlobal, em Nova York. E não conte com as famílias, carregadas de dívidas, paradevolver o crescimento ao país. Assim como os bancos, elasestão mais preocupadas em limpar o orçamento após sete meses deturbulência --ou seja, é improvável que abram a carteira. Tudo isso se junta a um prolongado período dedesalavancagem --palavra chique para redução de dívidas-- etalvez um tempo igualmente comprido de crescimento econômicoabaixo da média. Ainda que muitos economistas ainda acreditem que a economiavá se recuperar no segundo semestre deste ano com o efeito doscortes dos juros e das restituições de impostos, algunscomeçaram a estimar o início da recuperação apenas em 2009. A economia norte-americana fechou 63 mil postos de trabalhoem fevereiro, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira.Em janeiro, a queda foi de 22 mil empregos e o crescimento dedezembro foi apenas a metade do que o anteriormente reportado. Economistas viram notícias ruins até na queda da taxa dedesemprego, de 4,9 para 4,8 por cento. Eles apontaram que issoocorreu meramente por uma redução da força de trabalho, já quehá mais pessoas que desistiram de procurar emprego. O emprego é a chave para a economia norte-americana.Emprego significa pagamento, pagamento significa consumo e oconsumo representa cerca de 70 por cento da economia. "O debate não deve ser mais se há ou não uma recessão, esim qual a profundidade dela", disse Nigel Gault, economista daGlobal Insight, em Lexington, Massachusetts. PAGUE DEPOIS Os consumidores já estavam pressionados pela criseimobiliária e pelo aumento dos custos com energia e alimentos.Um relatório na quinta-feira mostrou que o nível de riqueza dasfamílias caiu pela primeira vez em cinco anos. A taxa depoupança tem ficado perto de zero por vários meses. Com a turbulência no mercado de crédito levando bancos arestringir os padrões de concessão de crédito, os consumidorestêm passado por maus momentos para conseguir hipotecas efinanciamentos de automóveis, por exemplo. Isso sugere que asfamílias vão reduzir gastos. Houve apenas um pequeno ponto positivo no relatório deemprego. Um mercado de trabalho em dificuldades alivia aspressões inflacionárias, tornando mais fácil para o Fed reduzirtaxas de juros. O banco central já cortou os juros em 2,25 pontospercentuais desde setembro, e outra redução de pelo menos 0,5ponto percentual é amplamente prevista para o próximo encontro,em 18 de março. O economista do Goldman Sachs Jan Hatzius disseque um corte emergencial, antes da reunião, não está fora dequestão. "É apropriado caracterizar a economia norte-americana comotendo ingressado em uma recessão no primeiro trimestre", disseo economista-chefe do J.P. Morgan, Bruce Kasman.

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