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ANÁLISE-Escalada do déficit externo já acende luz amarela

A melhora do perfil das contasexternas brasileiras tem evitado reações sobressaltadas domercado ao acelerado crescimento do déficit em transaçõescorrentes do país, mas acadêmicos afirmam que a velocidade dereversão do saldo em meio a um cenário internacional conturbadojá é motivo de alerta. Com importações e remessas de lucros crescendo de formaacelerada, as transações correntes do país devem fechar 2008com déficit de 25 bilhões de dólares após cinco anos desuperávit, segundo a última sondagem feita pelo Banco Centraljunto a analistas. Em janeiro, a mesma pesquisa previa déficit de apenas 5bilhões de dólares para o ano. Para 2009, os analistas prevêemdéficit de 33 bilhões de dólares. "Tal retorno ao déficit em transações correntes épreocupante por duas razões: pela velocidade em que estáocorrendo e pelo ambiente internacional que pode facilitar ounão o seu financiamento", afirmou o economista Alkimar Moura,professor da FGV-SP. Ex-diretor do Banco Central (1994-1997) num período em queo país também registrou déficits externos elevados, mas comreservas internacionais reduzidas, Moura reconhece que ascontas externas são hoje bem menos vulneráveis. Mas aponta a possível continuidade da crise global decrédito como um risco. "Nestas condições, os mercados financeiros têm sempre atendência de amplificar os eventos negativos, o que também nãofavorece o financiamento de desequilíbrios externos", disse. QUEIMAR RESERVAS O BC destacou em relatório recente que o déficit acumuladopelo país em 12 meses até junho, de 1,32 por cento do ProdutoInterno Bruto (PIB), está abaixo da média histórica do país de1,75 por cento do PIB, e ocorre com investimentos estrangeiros(diretos e indiretos) crescentes e reservas internacionaisrecordes. Com as reservas em 200 bilhões de dólares, o Brasil passouà condição de credor externo líquido e as despesas com juros,fonte histórica de problemas para o país, caiu drasticamente. O ajuste drástico foi coroado com a concessão do grau deinvestimento ao país pelas agências de classificação de riscoeste ano. Para Simão Silber, professor da FEA-USP, a preocupação éque a partir de 2010 a queda nos preços de commoditiesexportadas pelo Brasil --desencadeada pela desaceleraçãomundial-- e a esperada redução do juro ponham o país emsituação de desvantagem. "Com esse processo, haverá pressão sobre a taxa de câmbio,que tende a se desvalorizar, o que pode levar o Banco Central aquerer queimar reservas para segurar o real", afirmou Silber. Ele acrescentou que no curto prazo não há motivos parapreocupação, mas classificou como "assustadora" a rapidez comque o saldo negativo tem crescido. Em 2008, o déficit em transações correntes do país seráinferior ao fluxo de investimentos estrangeiros diretos, quedeve ser recorde e superar 34 bilhões de dólares segundoprojeções do mercado e do governo. Para 2009, no entanto, os prognósticos são de que o déficitsuperará os investimentos diretos, o que implicará em maiordependência de capitais mais voláteis para financiamento. Darwin Dib, economista sênior do Unibanco, ponderou quecomparar investimento estrangeiro direto com déficit emtransações correntes é uma "regra de bolso" que não faz maissentido diante do crescimento dos investimentos estrangeiros emportfólio. RESPOSTA DO CÂMBIO Em 2008, os investimentos de estrangeiros em papéisdomésticos de longo prazo e ações devem somar 25 bilhões dedólares, segundo o BC, após chegarem a 40 bilhões de dólares em2007, ano em que houve um número recorde de aberturas decapital na bolsa brasileira. "Não dá para dizer o que é um déficit de conta correntepreocupante", afirmou. "É o mercado de câmbio que vai responder a essa questão. Jáque o real continua se apreciando fortemente isso é um sinal deque esse déficit em conta corrente é plenamente financiável." O real acumula queda de quase 5 por cento em agosto, porconta do cenário internacional adverso, mas no ano a moedabrasileira se valorizou cerca de 8 por cento. (Edição de Daniela Machado e Renato Andrade)

ISABEL VERSIANI, REUTERS

19 de agosto de 2008 | 19h08

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