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ANÁLISE-EUA se preparam para boom de quebras de bancos

O número de falências no setor bancário dos Estados Unidos deve crescer em mais de quatro vezes neste ano, com a chegada de novos recursos para os órgãos federais lidarem com bancos insolventes e com a postura mais agressiva do governo Barack Obama quanto a projeções ruins de alguns bancos. Analistas e participantes do setor dizem que a contínua deterioração das condições de crédito deve ser o principal motivo por trás da disparada no número de falências, mas decisões do governo também podem aumentar as cifras. "Eu acho que as pessoas ficaram surpresas por não ter havido mais no ano passado, e eu acho que isso tem mais a ver com as condições do Federal Deposit Insurance Corp (FDIC, órgão do governo dos EUA) do que com a qualidade dos bancos", disse Richard Eckman, diretor do setor de serviços financeiros da empresa de advocacia Pepper Hamilton. O FDIC fechou 25 bancos no ano passado e somente nas sete primeiras semanas de 2009 14 bancos quebraram. Nesse ritmo, o FDIC vai fechar mais de 100 instituições em 2009. A agência está em uma corrida por contratações e quer triplicar sua linha de crédito com o Departamento do Tesouro, o que lhe daria mais condições para intervir em bancos quebrados e encontrar compradores para seus ativos. "O FDIC determinou claramente que esperamos um aumento na nossa atividade de resolução neste ciclo econômico", disse o porta-voz do FDIC Andrew Gray. "Os esforços prudentes de planejamento do FDIC no último ano e meio refletem isso --incluindo a contratação de mais pessoas e o fato de assumir mais compromissos e de ter um aumento orçamentário." QUANTAS FALÊNCIAS A MAIS? O FDIC também está se vendo livre das amarras do último governo, que podem ter adiado a falência de vários bancos no ano passado para aumentar a confiança no setor financeiro, disse Ken Thomas, consultor bancário e economista em Miami. "Há muitos outros bancos que poderiam ter fechado", disse. "O que temos visto é uma disparada no número de quebras, uma política totalmente nova." Os pequenos bancos norte-americanos que quebraram nas últimas semanas poderiam facilmente ter encerrado as operações em junho ou setembro, afirmou Thomas, que espera mais de 100 falências em 2009. Outras previsões são mais pessimistas. A RBC Capital Markets disse recentemente que mais de mil bancos nos Estados Unidos --ou um em cada oito concessores de empréstimos-- podem quebrar nos próximos três a cinco anos. O FDIC está claramente se preparando para uma enxurrada de falências, e revisou para cima o custo previsto para os próximos três anos em seu fundo de depósito. LISTA DE BANCOS PROBLEMÁTICOS Na quinta-feira, a agência vai divulgar dados sobre a situação do setor bancário no último trimestre de 2008, incluindo uma revisão no número de bancos monitorados mais de perto e na quantidade de dinheiro separada para lidar com futuras quebras. O número de "bancos-problema", que estão sob monitoramento constante ou que têm poucas coberturas de crédito, disparou no terceiro trimestre do ano passado de 117 para 171. Foi o maior número desde 1995. Para Thomas, o número de "bancos-problema" deve ter crescido para cerca de 200 no fim do último trimestre de 2008. O FDIC vai divulgar também o dado atualizado sobre o dinheiro disponível no Deposit Insurance Fund (Fundo de Depósito para Seguro), que dá lastro aos depósitos em bancos membros do FDIC. Os números vão mostrar ainda a quantidade de dólares reservada para futuras quebras de bancos. O fundo perdeu 23,5 por cento das reservas no terceiro trimestre, para 34,6 bilhões de dólares. O montante inclui cerca de 12 bilhões de dólares reservados para quebras que eram esperadas para o quarto trimestre de 2008. Em dezembro, o FDIC disse esperar que o fundo caísse para cerca de 29 bilhões de dólares no fim do quarto trimestre. O dado exato será divulgado na quinta-feira.

KAREY WUTKOWSKI, REUTERS

24 de fevereiro de 2009 | 17h58

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