ANÁLISE-EUA terão impacto limitado sobre PIB brasileiro em 2008

O medo de uma recessão nos EstadosUnidos ganhou força nos últimos dias e, embora tenha sacudidoos mercados financeiros no Brasil, deve ter impacto limitadosobre o crescimento do país este ano. Para analistas, o ProdutoInterno Brasileiro (PIB) ainda vai crescer entre 4,0 e 4,5 porcento. A avaliação é de que a economia pode se amparar na demandainterna e mesmo nas exportações para a Ásia, continente que sedestaca na demanda por commodities brasileiras. "Dentro desse universo de problemas, o Brasil continua bemposicionado porque tem um portfólio de exportaçõesrelativamente bem amplo", afirmou à Reuters o economista-chefedo Banco Itaú, Tomás Málaga. "Não há dúvida de que vai ter alguma desaceleração... Nossocenário básico aponta crescimento próximo de 4 por cento, masacima dessa marca." Segundo Málaga, a crise oriunda do mercado imobiliário dealto risco (subprime) dos EUA "não provocará necessariamenteuma queda muito grande no nível de atividade da Ásia". O economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto,por outro lado, destacou a força da demanda interna. "Impacto (no crescimento brasileiro) vai ter. Tem impactodireto porque o Brasil deixaria de exportar mais para osEstados Unidos e outros países, mas como as exportações não sãoo principal motor da nossa economia atualmente o impacto não égrande", afirmou. "O crescimento está dependendo mais da demanda interna",acrescentou o economista, que espera expansão de 4,5 por cento. DÚVIDAS SOBRE 2009 Flávio Serrano, economista-chefe da López León Markets,também destacou o peso do consumo doméstico. "Não pretendo revisar (a projeção do PIB brasileiro), porenquanto... Seria um impacto marginal, porque dependemos maisdos desenvolvimentos daqui de dentro. Continuo prevendo 4,6 porcento e, se revisasse, iria para uns 4,4 por cento." As projeções recolhidas pelo Banco Central no últimorelatório Focus apontam expansão de 4,5 por cento este ano --amesma estimativa das últimas quatro semanas. Para o ano quevem, a previsão foi cortada levemente, de 4,06 para 4,03 porcento. Em 2007, o Brasil pode ter crescido 5,2 por cento peloprognóstico do mercado financeiro. As preocupações com a economia dos EUA começaram aincomodar investidores em meados de 2007 e recrudesceram noinício deste ano com dados fracos sobre o mercado de trabalhonorte-americano. Neste mês, o principal índice da Bolsa de Valores de SãoPaulo já acumula perdas de cerca de 16 por cento, enquanto odólar avançou 2,98 por cento frente ao real. Para um importante indicador acionário de Wall Street, oStandard & Poor's 500, a última semana foi a pior em cincoanos. Apesar de o governo norte-americano ter proposto um pacotepara evitar a recessão, investidores não se mostraramconfiantes na solução do problema. Mas a preocupação maior pode estar mais para frente. O analista-chefe da corretora Coinvalores, Marco AurélioBarbosa, avalia que o crescimento deste ano ainda vai ficarperto de 4,4 a 4,5 por cento, mas teme os efeitos futuros dodesaquecimento mundial sobre o Brasil. "Tem estoque de investimentos de 2007 que vai maturar esteano. Minha dúvida vai para 2009." (Reportagem adicional Vanessa Stelzer)

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