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ANÁLISE-Fibria reduzirá dívida com venda da Conpacel para Suzano

A venda da metade do Consórcio Paulista de Papel e Celulose (Conpacel) da Fibria para a sua sócia Suzano foi vista como positiva para a Fibria por analistas do mercado.

CAROLINA MARCONDES, REUTERS

22 de dezembro de 2010 | 17h48

Isso porque a empresa, herdeira de uma grande dívida por conta de perdas com derivativos da Aracruz em 2008, reduz a sua alavancagem e diminui drasticamente sua participação no segmento de papéis, área que sempre foi vista como não-estratégica para a maior produtora de celulose do mundo.

As ações da companhia registravam a maior alta do Ibovespa nesta quarta-feira, exibindo valorização de 4,3 por cento por volta das 17h20, enquanto o Ibovespa operava praticamente estável. A Suzano, por sua vez, recuava 2,4 por cento no mesmo horário.

Na noite de terça-feira, as companhias anunciaram a venda dos 50 por cento de participação na Conpacel da Fibria para a Suzano por 1,45 bilhão de reais. Além disso, foi negociada a venda da distribuidora de papéis KSR por 50 milhões de reais.

Na tarde desta quarta-feira a Fibria afirmou, em nota, que a rapidez da negociação, que segundo o presidente da Suzano Antonio Maciel Neto durou apenas "alguns dias", foi facilitado pelo fato de o ativo já ser bem conhecido pelas duas empresas.

"A proposta foi muito boa e possibilita à Fibria concentrar esforços no negócio celulose", disse em nota o presidente da companhia, Carlos Aguiar.

Para o analista de papel e celulose da Coinvalores, Marco Saravalle, "melhor, impossível" para a Fibria. "Nenhuma empresa gosta de vender ativos, mas já era visível desde que a Fibria surgiu que ela teria que fazer o desinvestimento", afirmou.

De acordo com ele, a venda da Conpacel acelera a busca da companhia por desalavancagem. "Ela vai conseguir se desalavancar, reestruturar seu balanço, refinanciar a dívida e voltar aos investimentos de longo prazo em celulose."

Em 30 de setembro de 2010, a dívida bruta da Fibria era de 12,296 bilhões de reais, valor 20 por cento menor que o mesmo período de 2009 e de 7 por cento ante o final do segundo trimestre.

A dívida líquida na mesma data, por sua vez, era de 10,112 bilhões de reais, queda de 21 por cento em comparação ao final do terceiro trimestre de 2010 e também de 7 por cento ante o segundo trimestre.

A relação entre dívida líquida e Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) estava em 3,9 vezes, contra 7,2 vezes do terceiro trimestre de 2009 e 4,7 vezes do segundo trimestre.

No final de 2009, a Fibria vendeu à chilena CMPC a sua unidade de Guaíba (RS) por 1,43 bilhão de reais, no primeiro movimento de desinvestimento para a redução da dívida.

DÍVIDA

Em relatório, a Fator Corretora afirmou que espera que, após a venda da Conpacel, a dívida líquida da Fibria chegue a 8,3 bilhões de reais, com relação entre dívida líquida e Ebitda de 3,1 vezes.

"Esta venda praticamente encerra a participação da empresa no segmento de papel e contribuirá significativamente para a redução da alavancagem financeira e à revisão dos planos de expansão, que foram reduzidos em função da crise mundial e da pior situação financeira (lembramos que a empresa chegou a suspender o pagamento de dividendos)", disse o analista Rodrigo Fernandes, também em relatório.

"A Fibria tem conseguido resolver a questão da dívida, mas está cortando na carne... a dívida está voltando a um patamar aceitável, e a partir do momento em que ela consegue um bom nível de estrutura de capital ela pode se endividar de novo", diz o analista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi.

Já o analista de papel e celulose da Planner Corretora, Victor Luiz de Figueiredo Martins, diz que mesmo que o negócio seja uma operação "ganha-ganha" para as duas empresas, o mercado no curto prazo deve seguir a tendência de vender ações da Suzano para comprar Fibria.

"A Fibria vai se concentrar em celulose e vai se desalavancar... a notícia é positiva para a Suzano, mas a Fibria ganha mais", afirmou.

A Conpacel produz anualmente 360 mil toneladas de produtos, sendo 190 mil toneladas de papel e 170 mil de celulose. Com a compra dos ativos, a Suzano deverá capturar sinergias de aproximadamente 300 milhões de reais. As duas companhias se tornaram sócias no ativo após a compra conjunta da Ripasa, no final de 2004.

A Suzano detinha o direito de preferência pela parcela da Fibria no caso de interesse de venda, mas segundo Maciel, a proposta foi direta, não houve outra empresa interessada.

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